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CPMI do INSS quer ouvir filho de Lewandowski por suspeita de blindagem em fraude de R$ 730 milhões

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O advogado Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, figura entre os nomes que podem ser convocados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O pedido, apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), aponta possíveis conflito de interesses e tráfico de influência na maior investigação já aberta contra fraudes previdenciárias no país.

Enrique foi contratado para defender duas entidades sob suspeita de comandar o esquema: a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap). Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), ambas seriam organizações de fachada responsáveis pelo desvio de R$ 730 milhões de aposentados e pensionistas.

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Pontos que despertam suspeita

O contrato do advogado previa representação das entidades junto a órgãos federais, entre eles a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao ministério comandado por seu pai. Para Izalci, esse detalhe reforça a hipótese de blindagem político-jurídica do esquema às vésperas da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal.

O requerimento de convocação lista três questões principais que os parlamentares querem esclarecer:

  • origem dos recursos usados para pagar os honorários do advogado;
  • eventuais tratativas com operadores do esquema, como o empresário Maurício Camisotti;
  • contatos formais ou informais com agentes públicos em nome dos clientes investigados.

Defesas e posicionamentos

Assim que o caso veio à tona, Enrique Lewandowski declarou ao jornal O Globo que seu escritório não atuou junto ao Ministério da Justiça e que o contrato restringia-se a serviços de direito administrativo, sem envolver a esfera criminal. Ele afirmou ainda ao Estado de S. Paulo ter se desligado do Cebap depois que a Polícia Federal iniciou as investigações. Documentos revelam, porém, que o advogado participou de uma reunião com o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em dezembro de 2024.

Em 29 de abril de 2025, durante audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara, o ministro Ricardo Lewandowski negou qualquer conflito de interesses, alegando inexistência de petições, audiências ou requerimentos do escritório de seu filho perante a pasta. O ministério reforçou que a autonomia da Polícia Federal foi preservada.

Procuradas, Ambec, Cebap e o escritório de Enrique Lewandowski não responderam até a última atualização desta reportagem.

Com informações de Gazeta do Povo

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