A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes em descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social pretende ouvir, nesta segunda-feira (15), o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Preso pela Polícia Federal em 12 de setembro, ele deverá explicar sua atuação nos bastidores da Previdência, a relação com políticos e servidores e a movimentação de mais de R$ 53 milhões identificada pelas autoridades.
Presença confirmada
Embora o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça tenha autorizado Antunes a decidir se compareceria ou não, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou no domingo (14) que o empresário pretende depor para apresentar sua versão dos fatos.
Quem é o “careca do INSS”
Antunes atuava como intermediário entre associações de aposentados e empresas que oferecem serviços a beneficiários. Investigações apontam que ele mantinha sociedade em pelo menos 22 empresas, muitas criadas para dificultar a fiscalização. Apenas por essas firmas, a PF identificou fluxo superior a R$ 53 milhões.
Pagamentos a servidores
Documentos policiais indicam repasses de R$ 9,3 milhões a servidores do INSS. Entre os beneficiários estão o ex-procurador-geral Virgílio Filho; os ex-diretores André Fidelis e Alexandre Guimarães. A esposa de Virgílio recebeu R$ 7,54 milhões e um Porsche Taycan. O filho de André Fidelis recebeu R$ 1,46 milhão via escritório de advocacia, enquanto Guimarães teria recebido R$ 313 mil diretamente.
Suspeita de lavagem de dinheiro
A PF também investiga possíveis manobras de lavagem: um mesmo imóvel, avaliado em R$ 353 milhões, teria sido transferido repetidamente entre Antunes e a esposa em menos de seis meses, em operações registradas entre 2022 e 2024.
Visitas ao INSS e ao Congresso
A CPMI aprovou, em 28 de agosto, pedido para obter registros de entrada de Antunes no INSS de 2019 a 2025. Há também requerimentos de dados sobre suas visitas ao Congresso desde 2011. O Senado, no entanto, impôs sigilo de 100 anos sobre essas informações com base na Lei Geral de Proteção de Dados.
Relações políticas em foco
Até o momento, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi o único parlamentar a confirmar encontro com o lobista, negando irregularidades. Perguntas feitas pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) a outras testemunhas indicam que a CPMI quer saber se Antunes pagava mesadas a congressistas ou tinha ligação com ministros da Previdência e diretores do instituto.
Imagem: Geraldo Magela
Parceria com Maurício Camisotti
A comissão também pretende examinar a relação de Antunes com o empresário Maurício Camisotti, detido na mesma operação. Camisotti seria sócio oculto de entidades como Ambec, Cebap e Unsbras, usadas para aplicar descontos clandestinos. Investigações apontam que a empresa Total Health Group (THG), controlada por Camisotti, prestava suporte logístico ao esquema.
Camisotti, que recebeu autorização para não depor, tornara-se conhecido em 2021 após relatório do Coaf indicá-lo como financiador oculto da Precisa Medicamentos na negociação da vacina Covaxin, suspeita de superfaturamento de R$ 18 milhões.
A sessão desta segunda-feira deve concentrar-se nos vínculos de Antunes com servidores, na possível lavagem de dinheiro e nas conexões políticas que teriam sustentado o esquema dentro e fora do INSS.
Com informações de Gazeta do Povo

