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Condenação de Bolsonaro impulsiona tentativa de votar projeto de anistia na Câmara

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A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus pelo Supremo Tribunal Federal (STF) deu novo impulso à articulação da bancada de oposição, liderada pelo PL, para colocar em votação o Projeto de Lei 2858/2022, que concede anistia a participantes de manifestações de cunho político ou eleitoral desde 30 de outubro de 2022.

Pressão por urgência

Os líderes do PL pretendem votar nesta terça-feira (16) o requerimento de urgência da proposta, engavetado desde abril pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Com a urgência aprovada, a bancada quer deliberar o mérito ainda em setembro.

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Segundo o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a condenação de Bolsonaro “reforça a necessidade de corrigir rumos” e ampliar o texto para alcançar o ex-presidente. “A anistia reconhece erros e busca a pacificação nacional”, afirmou.

Negociações partidárias

Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, reuniu-se no fim de semana com Gilberto Kassab, que comanda o PSD, para angariar apoio. União Brasil, Republicanos, Progressistas e Novo já sinalizaram voto favorável. O deputado Luciano Zucco (PL-RS) calcula mais de 300 votos: “Se há maioria, por que não pautar?”, questionou.

Motta vinha priorizando projetos alinhados ao Palácio do Planalto, como a reforma do Imposto de Renda. Na reunião de líderes da semana passada, porém, admitiu que o tema “precisaria ser enfrentado”, o que a oposição interpretou como sinal de abertura.

Conteúdo do PL 2858/2022

A proposta concede anistia a quem participou, organizou, financiou ou divulgou atos políticos e eleitorais após o segundo turno de 2022, incluindo doadores, prestadores de serviço e usuários de redes sociais. Crimes graves como homicídio, tortura, tráfico, terrorismo, crimes hediondos, lesão corporal grave e incêndio ficam fora do perdão.

O texto não menciona Bolsonaro. Para integrantes da base governista, seria necessário emenda que inclua o ex-presidente de forma explícita; a oposição sustenta que a redação já é suficiente.

Resistências e alternativas

O governo, por meio do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), promete veto caso a anistia avance. Ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Flávio Dino, consideram a medida inconstitucional se interferir em sentenças transitadas em julgado.

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) discute proposta alternativa que reduziria penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, sem extinguir processos. O texto ainda não foi apresentado.

Ajustes em debate

Relatora original do projeto, a deputada Caroline de Toni (PL-SC) admite ajustes para delimitar crimes abrangidos. Até agora, sete projetos semelhantes foram apensados, entre eles o PL 4485/24, do deputado Marcos Pollon (PL-MS), que revoga punições relativas aos atos de 8 e 9 de janeiro.

A escolha do relator em plenário permanece indefinida. A oposição tenta manter Rodrigo Valadares (União-SE) ou indicar nome do Centrão.

Reação dos condenados

O advogado Ezequiel Silveira, que defende manifestantes presos, disse que a decisão do STF elevou a expectativa das famílias. Para ele, incluir Bolsonaro pode travar o projeto, mas “o foco deve ser libertar quem não tem recursos para se defender”.

As próximas semanas serão decisivas para saber se o Congresso aprovará um perdão amplo que alcance Bolsonaro ou uma versão restrita centrada nos réus do 8 de janeiro.

Com informações de Gazeta do Povo

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