A comunidade ucraniana no Brasil organiza, neste domingo (22), manifestações em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro com o objetivo de reacender o apoio político e humanitário à Ucrânia, que completa quatro anos de guerra na próxima terça-feira (24). A iniciativa é coordenada pela Representação Central Ucraniano-Brasileira (RCUB).
Programação dos protestos
• São Paulo – 11h30, Avenida Paulista, 1.313, em frente ao prédio da Fiesp. Antes do ato, será celebrada uma missa pela paz, às 10h, na Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição (Rua das Valerianas, 169, Vila Zelina).
• Curitiba – 15h30, Praça da Ucrânia.
• Rio de Janeiro – 28 de fevereiro, às 16h, em frente ao Copacabana Palace, na Praia de Copacabana.
“Fadiga do doador” dificulta ajuda
A redução das doações internacionais preocupa voluntários que atuam na linha de frente. A brasileira Clara Magalhães, da organização Frente BrazUcra, lembra que, em 2022, atravessava a fronteira entre Polônia e Ucrânia várias vezes por semana com veículos cheios de comida, roupas e itens de higiene. “Hoje há menos doações; é muito mais difícil encher um carro ou van”, afirma. Segundo ela, a prioridade agora é o envio de recursos em dinheiro para evitar custos de transporte.
Com os recentes ataques russos ao sistema elétrico ucraniano, geradores portáteis tornaram-se o item mais urgente. A RCUB conduz uma campanha para adquirir pequenas centrais elétricas, cada uma ao custo aproximado de R$ 8 mil. Oito unidades do modelo Ecoflow já foram enviadas a hospitais e centros de refugiados em Bilozerska, Sumy, Chudniv, Kherson e Ternopil, por meio das redes sociais da Metropolia Católica Ucraniana.
Pressão política
Além da ajuda humanitária, os organizadores querem chamar atenção para as tentativas de Moscou de normalizar a invasão e ampliar sua influência no Brasil. “Há quatro anos, a agressão à Ucrânia vem sendo gradualmente silenciada pela mídia. Diante da crise humanitária, a diáspora ucraniana no Brasil reforça seus esforços”, afirma Júlia Regina Bordun Bertoldi, vice-presidente da RCUB e coordenadora do Comitê Humanitas Brasil-Ucrânia.
Brasileiros na linha de frente
O conflito também atraiu combatentes voluntários do Brasil. O Itamaraty calcula que pelo menos 23 brasileiros morreram desde 2022. Entre os que ainda viajam para o front está o paranaense Adilson de Andrade Ganzert, 45 anos, ferido em ação durante a contraofensiva ucraniana em Kharkiv e Donetsk, mas que planeja retornar. “Fui pelo lado humanitário, por amor ao próximo”, diz. Ele aconselha quem pensa em se alistar: “Se for, não vá pelo dinheiro; não compensa”.
A guerra, iniciada com a invasão russa em larga escala em 2022, já provocou a morte de ao menos 55 mil combatentes e de dezenas de milhares de civis, segundo estimativas divulgadas pelas autoridades ucranianas.
A mobilização deste fim de semana pretende lembrar esses números, denunciar a continuidade dos ataques e arrecadar fundos para suprir a população afetada, sobretudo em meio ao rigor do inverno e aos prolongados apagões.
Com informações de Gazeta do Povo

