O cometa C/2024 E1 (Wierzchoś) alcança na próxima semana sua menor distância em relação à Terra, etapa final antes de partir em trajetória definitiva rumo ao espaço interestelar. Na terça-feira, 17, o objeto estará a aproximadamente 151 milhões de quilômetros do planeta – distância parecida à que nos separa do Sol – sem qualquer risco de colisão.
Descoberta e características
O corpo celeste foi identificado em março de 2024 pelo astrônomo polonês Kacper Wierzchoś, que operava remotamente um telescópio de 1,5 metro no Observatório Mount Lemmon, no Arizona (EUA). Desde então, diversos instrumentos acompanham sua trajetória, entre eles o Telescópio Espacial James Webb (JWST), que detectou grandes emissões de dióxido de carbono na coma conforme o cometa se aquece.
Estimativas iniciais apontavam núcleo de cerca de 13,7 quilômetros de diâmetro, mas estudos em revisão indicam que o tamanho pode ter sido superestimado. Novos cálculos devem refinar esse valor nas próximas semanas.
Origem e trajetória
O C/2024 E1 se formou na remota Nuvem de Oort, região que abriga trilhões de corpos gelados nos limites do Sistema Solar. Sua órbita hiperbólica indica passagem única pela vizinhança solar. Pesquisadores calculam que a jornada em direção ao Sol possa ter começado há até três milhões de anos.
O periélio ocorreu em 20 de janeiro, a cerca de 84 milhões de quilômetros da estrela. A proximidade liberou gases como o carbono diatômico, responsável pelo característico brilho esverdeado observado na coma.
Como observar
De acordo com o guia InTheSky.org, a partir de sábado, 14, o cometa poderá ser visto entre 19h42 e 20h34 (horário de Brasília), a 32° acima do horizonte sudoeste, na constelação do Escultor. O surgimento no céu ocorrerá cerca de um a dois minutos mais cedo a cada noite.
A observação exige céu escuro, longe da poluição luminosa. Previsões sugerem que binóculos de alta ampliação ou pequenos telescópios oferecem as melhores chances de visualização, embora equipamentos simples possam bastar em condições ideais.
Destino interestelar
Especialistas afirmam que a influência gravitacional do Sol acelerará o C/2024 E1 o suficiente para expulsá-lo do Sistema Solar. Após a passagem, o cometa deve viajar pela Via Láctea por milhões ou até bilhões de anos, em trajetória semelhante à do cometa interestelar 3I/ATLAS.
Com informações de Olhar Digital

