Brasília – Faltando cerca de sete meses para o primeiro turno de 2026, legendas negociam intensamente chapas nacionais e estaduais. O objetivo é definir candidaturas à Presidência, a governos estaduais e ao Senado, onde estarão em disputa 54 das 81 cadeiras. Neste processo, três formatos de aliança concentram a atenção de dirigentes partidários: coligação, federação e apoio informal.
Panorama das negociações
No governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta atrair siglas de centro para, se não formarem coligações, ao menos declararem neutralidade na corrida ao Planalto e liberarem composições regionais. Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) busca reeditar a base que deu sustentação ao mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Progressistas (PP) é considerado peça-chave. Embora presidido por Ciro Nogueira – ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro –, o partido mantém conversas com o Palácio do Planalto e admite alianças locais com o PT. PP e União Brasil acertaram criar uma federação que, se registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reunirá a maior bancada da Câmara e mais de 1,3 mil prefeituras, tornando as tratativas ainda mais complexas.
Além da disputa presidencial, as composições estaduais ganham peso porque 18 dos 27 atuais governadores não poderão concorrer à reeleição.
Coligação: união apenas para a urna
A coligação é uma parceria temporária entre dois ou mais partidos válida somente para cargos majoritários – prefeito, governador, senador e presidente. As regras são:
- formalização nas convenções partidárias, entre julho e agosto;
- vigência restrita ao pleito daquele ano;
- soma de recursos do fundo eleitoral e tempo de propaganda em rádio e TV.
Encerrada a eleição, a coligação se desfaz. Em 2022, Lula foi eleito em aliança com nove legendas; Jair Bolsonaro concorreu pelo PL ao lado de PP e Republicanos; e Simone Tebet (MDB) formou bloco com PSDB, Cidadania e Podemos.
Federação: compromisso de quatro anos
Criada em 2021, a federação junta partidos por um mínimo de quatro anos, dentro e fora do período eleitoral. Para valer em 2026, o registro precisa ser feito até 4 de abril. Entre as obrigações estão:
- atuação conjunta em todo o país, como se fosse uma única sigla;
- lançamento dos mesmos candidatos a cargos majoritários e proporcionais;
- soma de fundo eleitoral e tempo de mídia;
- formação de bancada única no Congresso enquanto durar o acordo.
Apoio informal: sem registro nem divisão de recursos
Quando não há coligação nem federação, políticos podem declarar apoio individual a candidatos de outras legendas. O entendimento não é registrado na Justiça Eleitoral e não gera compartilhamento de verba ou tempo de TV. Se o gesto contrariar diretrizes partidárias, o responsável pode perder espaço interno ou até ser expulso, mas mantém o mandato.
No segundo turno de 2022, por exemplo, Simone Tebet (MDB) declarou voto em Lula enquanto seu partido ficou neutro.
Alianças diferentes nos estados
A legislação permite que as coligações variem de um estado para outro – exceção feita às federações, que exigem alinhamento nacional. Com isso, uma mesma sigla pode apoiar candidaturas distintas conforme a conveniência local. O PSD, presidido por Gilberto Kassab, planeja ter nome próprio ao Planalto, mas deve se associar ao PT em alguns estados e ao PL em outros. Na Bahia, o partido integra a base petista; já em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (PSD) anunciou apoio ao oposicionista ACM Neto (União Brasil).
As conversas devem se intensificar até as convenções partidárias do meio do ano, quando as chapas majoritárias serão oficializadas.
Com informações de G1

