O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta quarta-feira, 29 de outubro de 2025, que nem ele nem seus secretários rebaterão questionamentos do governo federal sobre a megaoperação policial realizada na véspera nos complexos do Alemão e da Penha, ação que resultou em 64 mortos e 81 presos ligados ao Comando Vermelho.
Durante entrevista coletiva no fim da manhã, Castro declarou ter orientado toda a equipe a “não entrar em bate-boca” com autoridades federais. “Quem vier para somar será bem-vindo; quem vier para fazer politicagem, que some ou suma”, ressaltou.
Troca de farpas com o Ministério da Justiça
A manifestação ocorreu um dia depois de um desentendimento público com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. O titular da pasta cobrou comunicação prévia da operação e sugeriu que o estado “jogue a toalha e peça GLO” — referência à Garantia da Lei e da Ordem, dispositivo que depende de decreto presidencial. Castro rechaçou a ideia: “Não cabe ao governador definir o instrumento que o governo federal deve usar”.
Críticas de outros ministros
Além de Lewandowski, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) defendeu maior articulação entre as forças de segurança e a aprovação da PEC da Segurança, proposta rejeitada por Castro, que a considera uma interferência na autonomia dos estados. Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acusou o governo fluminense de fazer “praticamente nada” contra o contrabando de combustíveis que abastece o crime organizado.
Pedido de transferência de líderes do CV
Castro informou ter conversado na véspera com o ministro Rui Costa (Casa Civil) para solicitar a transferência de chefes do Comando Vermelho para presídios federais de segurança máxima. Ele disse esperar ainda nesta quarta-feira a confirmação de uma reunião presencial com Costa, Lewandowski e outras autoridades para discutir cooperação e financiamento de novas ações.
Imagem: Fernando Frazão
Operação mais letal da história do estado
O Palácio do Planalto avalia a resposta à operação, considerada a mais mortífera já registrada no Rio de Janeiro. O tema estava na agenda de uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros Lewandowski, Rui Costa, Gleisi Hoffmann, Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Anielle Franco (Igualdade Racial).
Segundo o governador, “demos um duro golpe na criminalidade, mas a guerra não será vencida sozinhos”. Ele defendeu a criação de um comitê permanente de integração para reduzir a capacidade bélica e financeira das facções.
Com informações de Gazeta do Povo

