O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que o estado se tornou o centro da crise de segurança pública brasileira e que, por isso, precisa de apoio “nacional e internacional” para enfrentar o crime organizado.
Cooperação com os Estados Unidos
Em entrevista publicada neste sábado (15.nov.2025) pelo jornal O Globo, Castro detalhou conversas com autoridades norte-americanas para restringir a entrada de peças usadas na montagem de fuzis, conhecidos como “Frankenstein”. “Restringiram a venda de armas prontas, mas não das peças. Cerca de 80% das armas apreendidas no Rio são montadas aqui”, disse. O governador negou qualquer risco de intervenção estrangeira: “Nada disso fere a soberania”.
Repercussões da megaoperação de 28 de outubro
Após a ação policial realizada em 28 de outubro, que resultou em 121 mortos — 117 suspeitos e quatro policiais — nos complexos do Alemão e da Penha, Castro declarou ter fornecido “todas as condições” para as forças de segurança agirem. Ele prometeu investigar eventual uso irregular de câmeras corporais: “Se não for verdade, quem errou vai responder”.
O governador atribuiu a moradores a remoção de corpos na Serra da Misericórdia, o que teria dificultado a perícia: “Os corpos começaram a ser retirados por volta de meia-noite”.
Três frentes prioritárias
Segundo Castro, a repercussão positiva da operação abriu espaço para avançar em:
- retirada de armas das comunidades;
- remoção de barricadas;
- asfixia financeira das facções.
Ele destacou que a Polícia Civil intensificou investigações sobre a movimentação de recursos dos grupos criminosos.
Imagem: Joéds Alves
Número de presos é enfatizado
Diante das críticas ao saldo de mortes, o governador preferiu destacar os 99 presos na operação: “Isso mostra que foi uma ação para prender”. Sobre relatório do Ministério Público ao STF que cita duas mortes atípicas — uma por tiro à curta distância e outra por decapitação —, respondeu: “É uma guerra. Isso foi criminoso tentando jogar a culpa na polícia”.
Projeto de lei antifacção
Castro defendeu enquadrar facções criminosas como terroristas, mas disse estar aberto a negociar o texto em discussão no Congresso: “Se não der para chamar de terrorismo, vamos buscar os instrumentos para o enfrentamento real”. Para ele, associar facções ao terrorismo permitiria rastrear o dinheiro e reduzir o poder bélico dessas organizações.
O governador classificou como “discurso demagógico” a tese de que tal medida poderia abrir caminho para intervenção estrangeira: “Tirando a Primeira e a Segunda Guerra, não lembro de uma nação continental, democrática e com instituições fortes ter sido invadida”.
Com informações de Gazeta do Povo

