O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) tomou posse como novo líder da oposição na Câmara dos Deputados na terça-feira, 16 de dezembro, e afirmou ver margem para que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto se fortaleça nos próximos meses. Segundo ele, apesar da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas, o cenário permanece aberto até o pleito de 2026.
Em entrevista, o parlamentar destacou que Flávio foi lançado “recentemente” e ainda terá mais exposição pública, o que pode atrair legendas de centro. Cabo Gilberto reconheceu a resistência que o sobrenome Bolsonaro carrega após o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas avalia que o senador tem condições de ampliar competitividade.
Pesquisas atuais
Levantamento Genial/Quaest divulgado no mesmo dia da posse aponta Lula com 46% das intenções de voto e Flávio com 36% em um eventual segundo turno. A sondagem ouviu 2.004 eleitores de 11 a 14 de dezembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança.
Prioridades da oposição
Cabo Gilberto classificou o momento político como “delicado”, citando o que considera desequilíbrio entre os Poderes e alegadas perseguições a parlamentares. Entre as metas da bancada, ele listou:
- fiscalização de promessas do governo;
- defesa da anistia a investigados dos atos de 8 de Janeiro;
- críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, na visão dele, interferem no Legislativo.
Relação com o Congresso
O novo líder disse manter diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas lembrou que a oposição reúne cerca de 120 deputados e pouco mais de 20 senadores, números insuficientes para formar maioria. Ele acrescentou que o Centrão continua dominando votações decisivas.
Pautas de segurança e economia
Cabo Gilberto lamentou o adiamento da votação do projeto contra facções criminosas, que, segundo ele, já estava “maduro”. Sobre a PEC da Segurança, defendeu revisar o texto para valorizar policiais.
Imagem: Kayo Magalhães
Na área econômica, o deputado chamou atenção para a dívida pública próxima de R$ 10 trilhões, juros em torno de 15% e expansão de benefícios sociais, fatores que, na sua avaliação, pressionam o Orçamento.
Papel de Jair Bolsonaro
Questionado sobre 2026, o líder afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro será o “grande puxador de votos” da direita. Embora declarasse preferência pela candidatura do ex-chefe do Executivo, reconheceu a impossibilidade por conta dos processos judiciais e garantiu apoio integral ao nome de Flávio.
Para atrair partidos de centro, ele disse que o PL continuará em negociações. Caso não haja acordo no primeiro turno, Cabo Gilberto acredita que a disputa final deverá se concentrar entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Com informações de Gazeta do Povo

