A Blue Origin comunicou na sexta-feira, 30 de janeiro, que vai interromper os lançamentos do foguete suborbital New Shepard por um período mínimo de dois anos. A pausa tem como objetivo direcionar recursos e equipes ao desenvolvimento de sistemas de pouso humano que integrarão o Programa Artemis, da NASA.
O anúncio ocorre poucos dias depois do voo mais recente do New Shepard, realizado na semana passada com seis passageiros a bordo. Desde 2021, o veículo vinha operando regularmente, levando turistas e celebridades a experiências de microgravidade e atingindo altitudes superiores a 100 km, consideradas o limite do espaço.
Reutilização e histórico de voos
Projetado para missões suborbitais, o New Shepard é um foguete reutilizável de pequeno porte. Em cada lançamento, a cápsula transporta os ocupantes acima da linha de Kármán e retorna em paraquedas, enquanto o propulsor pousa verticalmente em uma plataforma no oeste do Texas. Desde o primeiro voo tripulado — que contou com o fundador Jeff Bezos —, o sistema acumulou 38 decolagens, transportando 98 pessoas, entre elas William Shatner, Michael Strahan, Katy Perry, Wally Funk e Edward Dwight. A empresa também lançou mais de 200 experimentos científicos de estudantes, universidades, organizações e da própria agência espacial norte-americana.
Contrato bilionário com a NASA
Fundada em 2000, a Blue Origin mantém um contrato de US$ 3,4 bilhões com a NASA para desenvolver módulos de pouso lunar. Inicialmente previstos para a Artemis V, na década de 2030, esses veículos podem ser adiantados depois que atrasos em projetos da SpaceX levaram a agência a solicitar planos de aceleração às duas empresas. Nesta semana, o administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que os ajustes seguem em paralelo, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu como meta lançar a Artemis III até o fim de 2028.
A receita obtida com o turismo suborbital é considerada modesta diante do valor do contrato lunar. A companhia nunca revelou o preço das passagens e informa que mantém uma fila de clientes para voos futuros. Tecnologias testadas no New Shepard também foram aplicadas no New Glenn, o maior foguete da empresa, cujo primeiro propulsor foi recuperado com sucesso em uma balsa flutuante no ano passado após lançar uma missão científica da NASA com destino a Marte.
Com a pausa nos voos turísticos, a Blue Origin concentra esforços nos próximos passos rumo ao retorno de astronautas à superfície da Lua.
Com informações de Olhar Digital

