O ministro Luís Roberto Barroso presidiu, nesta quinta-feira (25), sua última sessão à frente do Supremo Tribunal Federal (STF). A solenidade, acompanhada por colegas e convidados no plenário, terminou com aplausos de pé ao magistrado.
Barroso afirmou que o tribunal “preservou a democracia” apesar do “custo pessoal” arcado pelos ministros. Ele citou que não houve desaparecimentos, tortura nem restrições à imprensa e defendeu um “novo recomeço” para o país, baseado em civilidade e respeito às diferenças.
No próximo dia 29 de setembro, o ministro Edson Fachin assumirá a presidência da Corte, tendo Alexandre de Moraes como vice.
Consequências pessoais
Durante o discurso, Barroso mencionou reflexos diretos da atuação do STF em sua vida privada: o visto de entrada nos Estados Unidos foi suspenso em meio ao embate entre o governo Donald Trump e Moraes, e seu filho optou por não retornar a Miami, onde trabalhava, temendo novas sanções.
Em tom emocionado, ele agradeceu aos colegas pelo apoio “na aventura de defender a democracia brasileira”.
Elogios de Gilmar Mendes
Decano do Supremo, o ministro Gilmar Mendes afirmou que o tribunal atravessou “ataques, violências e ousadias inéditas” e qualificou a gestão de Barroso como histórica. Segundo o magistrado, foi a primeira vez que um chefe de Estado, acompanhado de militares de alta patente, foi condenado por tentativa de golpe de Estado, algo que, após a Segunda Guerra Mundial, ocorreu apenas em nove ocasiões ao redor do mundo.
Ao falar de Moraes, Gilmar se emocionou: “Sem exagero, papel quase heroico”, declarou, interrompendo-se para beber água. Moraes retribuiu o agradecimento.
Imagem: colegas de Corte e pela plateia que acom
Manifestos da PGR, AGU e OAB
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou a agilidade de Barroso na tramitação das ações penais relativas aos crimes contra o Estado Democrático de Direito, sobretudo no julgamento do núcleo considerado central da suposta tentativa de golpe.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, lembrou que o biênio liderado por Barroso foi marcado por “dias muito difíceis”, nos quais as instituições foram testadas. Já o representante do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, classificou o ministro como “escudo da República” e estendeu a homenagem a Moraes, relator dos inquéritos sobre os atos de 8 de janeiro de 2023.
Com a despedida de Barroso, o STF se prepara para uma nova gestão a partir da próxima semana, mantendo na pauta processos ligados à defesa da ordem democrática.
Com informações de Gazeta do Povo

