Brasília — 20/02/2026, 22h36. O ministro André Mendonça é o novo relator do inquérito que apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. Ele substitui Dias Toffoli, que deixou o processo após relatórios da Polícia Federal (PF) indicarem encontros e trocas de mensagens com o proprietário da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
Autonomia condicionada
Ao assumir o caso, Mendonça autorizou a PF a retomar a análise de cerca de 100 dispositivos eletrônicos apreendidos, mantidos parados desde a gestão anterior. No período em que Toffoli conduzia o inquérito, o material permanecia guardado na Procuradoria-Geral da República (PGR) e depoimentos só podiam ocorrer na sede do Supremo Tribunal Federal.
Apesar de citar, em conversas reservadas, a intenção de dar “carta branca” aos investigadores, o ministro manteve sigilo máximo sobre o processo. Qualquer nova linha de apuração ou abertura de inquérito relacionado ao banco dependerá de autorização prévia do relator.
R$ 51 bilhões em risco
A investigação mira suspeitas de um rombo que pode alcançar R$ 51 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Há ainda menções, de forma indireta, a familiares de outros ministros do STF que teriam prestado serviços à instituição, embora esses parentes não sejam alvo formal do inquérito.
Troca de relator para reduzir pressão
A saída de Toffoli foi articulada internamente no tribunal com o objetivo de conter o desgaste institucional provocado pelas suspeitas de proximidade entre o então relator e o principal investigado. Com Mendonça à frente do processo, especialistas avaliam que o Supremo passa por um teste de transparência, enquanto o novo relator busca equilibrar independência investigativa e os limites impostos pelo próprio STF.
Com informações de Gazeta do Povo

