Brasília – A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) começou neste mês a retirada em caráter permanente dos orelhões instalados em todo o Brasil. A previsão é de que os telefones públicos, que já foram símbolo de comunicação no país, desapareçam das calçadas até 2028.
No auge da popularidade, o território brasileiro chegou a registrar cerca de 1,5 milhão de aparelhos. Hoje restam aproximadamente 30 mil, sendo quase 5 mil concentrados na cidade de São Paulo. A queda no uso acompanha a expansão dos celulares, que relegou o orelhão a situações pontuais de emergência.
Recordações nas ruas paulistanas
Motorista de aplicativo, Eronildo Almeida, 46 anos, lembra do aparelho como ponto de encontro no bairro onde morava, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Imigrante de Conceição do Coité (BA), ele afirma que dependia do telefone público para falar com a família: “Era fila longa, às vezes o orelhão não funcionava e precisávamos procurar outro. A ligação não passava de 15 minutos, porque todo mundo precisava usar”.
Para gerações mais novas, a lembrança é vaga. Também motorista de aplicativo, Lucas recorda ter utilizado o serviço na infância, mas diz não se lembrar de detalhes. O último orelhão de sua rua, segundo ele, foi retirado recentemente.
Resistência pontual
A retirada oficial dos equipamentos começou em janeiro de 2026, após o encerramento da concessão de serviço. Mesmo assim, alguns exemplares resistem. Na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, dois telefones seguem instalados. Shirley, 58 anos, que trabalha em uma pastelaria em frente, conta que o aparelho atrai hoje apenas pessoas em situação de rua: “Ninguém mais usa, está abandonado. Eu mesma não ligo de um orelhão há uns 20 anos”.
Curiosidades sobre o orelhão
O formato ovalado que rendeu o apelido “orelhão” foi criado em 1972 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. No início, as chamadas exigiam fichas metálicas que, ao caírem no fim da ligação, inspiraram a expressão popular “caiu a ficha”.
O telefone público voltou a ganhar destaque em 2026 com o lançamento do filme “O Agente Secreto”, indicado a quatro categorias do Oscar. O cartaz da produção estrelada por Wagner Moura exibe um orelhão amarelo em posição de destaque.
Com a retirada programada pela Anatel, o país dá adeus a um ícone que marcou gerações e registrou momentos históricos da comunicação no Brasil.
Com informações de Metrópoles

