O advogado Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor presidencial Filipe Martins no âmbito da ação penal nº 2.693 (núcleo 3), divulgou vídeo nesta quinta-feira (11/12/2025) explicando a razão de ter sido retirado da tribuna da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por ordem do ministro presidente Flávio Dino.
De acordo com Chiquini, o episódio ocorreu quando ele tentou apresentar uma “questão de fato” após já ter levantado três questões de ordem. O advogado afirmou que a intervenção de um policial foi inédita: “Nunca na história desse país um advogado foi advertido na tribuna por um policial”. Segundo ele, a discussão não foi com Dino, mas com o agente que, aos gritos, teria determinado sua saída.
As três questões de ordem
No relato, Chiquini listou os pontos que levou à apreciação da Turma:
- Retirada de documento: pedido para excluir das alegações finais da Procuradoria-Geral da República (PGR) um registro de entrada de Martins no Palácio do Planalto, por considerar a juntada intempestiva;
- Nova data dos fatos: contestação à inclusão, pela PGR, de data diferente da descrita na denúncia, o que, segundo ele, violaria o direito de defesa;
- Exibição de slides: tentativa de mostrar imagem de um sacerdote com o ex-presidente Jair Bolsonaro e uma tese doutrinária assinada pelo atual ministro Cristiano Zanin, ambas negadas pelo relator Alexandre de Moraes.
Após indeferir os pedidos, Dino negou novo pronunciamento antes do início da sustentação oral. Conforme Chiquini, foi nesse momento que o policial se aproximou exigindo a retirada do advogado da tribuna.
Nota do STF
A Secretaria de Comunicação do Supremo informou que Chiquini pôde falar livremente para expor as três questões de ordem, todas analisadas e rejeitadas. Segundo a Corte, o advogado tentou insistir sem respaldo regimental e a presidência manteve o indeferimento para “preservar a isonomia” entre as partes. O STF acrescentou que a Polícia Judicial “não o retirou do local nem o tocou”, apenas se aproximou, e classificou como falsa a afirmação de que houve expulsão.
Imagem: Gustavo Moreno
Chiquini nega ter desobedecido à decisão do presidente da Turma e sustenta que a intervenção ocorreu porque ele contestou a atuação do policial, não a ordem de Dino.
Com informações de Gazeta do Povo

