Brasília – A advogada Flávia Fróes, conhecida por defender chefes do tráfico no Rio de Janeiro, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição que classifica como “tentativa de golpe de Estado” uma operação da Polícia Militar que resultou na morte de 117 suspeitos nos complexos da Penha e do Alemão.
O pedido foi protocolado no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das favelas”, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A argumentação sustenta que a ação policial desafia decisões anteriores da Corte e se enquadra em supostas conspirações para abolir o Estado Democrático de Direito.
A petição chegou a motivar o agendamento de uma audiência presencial entre Flávia Fróes e Moraes nesta semana. O encontro, no entanto, foi cancelado de última hora após a reunião ter sido divulgada pela imprensa.
ONG na linha de frente
O documento foi apresentado pela ONG Anjos da Liberdade, presidida pela própria advogada. Nas redes sociais, ela se autodenomina “a braba” e “rainha do júri”, alegando possuir “defesas atômicas” capazes de reverter qualquer processo criminal.
Fróes foi recebida recentemente pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Reimont (PT-RJ). Em 2020, quando era vereador no Rio, Reimont propôs declarar a ONG de utilidade pública, medida que facilitaria o acesso da entidade a recursos públicos.
Campanha eleitoral sob investigação
Figura frequente em controvérsias, Flávia Fróes concorreu a deputada federal em 2022 pelo União Brasil, apoiando a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. A Polícia Federal investiga suspeitas de que sua campanha tenha recebido recursos de chefes do tráfico.
Imagem: Gazeta do Povo
Interceptações telefônicas feitas pela PF indicam que a advogada teria solicitado R$ 300 mil ao líder do Comando Vermelho, Marcinho VP, argumentando que enfrentava dívidas eleitorais. Segundo a investigação, o valor teria sido repassado, mas ela terminou a disputa com cerca de 1.300 votos e não se elegeu. Em conversa gravada, Fróes lamenta não ter disputado por São Paulo, onde, segundo ela, traficantes garantiriam sua vitória.
Apesar das suspeitas, a defensora mantém atuação ativa em processos criminais e agora aposta na tese de golpe de Estado para tentar anular a operação policial que, conforme seu pedido, violaria preceitos constitucionais protegidos pela ADPF 635.
Com informações de Gazeta do Povo

