O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do contador Washington Travassos de Azevedo, investigado por supostamente obter e comercializar de forma ilegal dados sigilosos de magistrados e outras autoridades.
A detenção foi efetuada pela Polícia Federal na sexta-feira (13). No dia seguinte, durante audiência de custódia, a Justiça manteve Azevedo atrás das grades após avaliar a legalidade da ordem de prisão e as condições de integridade física e psicológica do investigado.
Esquema mirava declarações de imposto de renda
De acordo com despacho de Moraes, a organização criminosa teria acessado informações da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) de 1.819 contribuintes. Entre as vítimas estão parentes de ministros do STF, integrantes do Tribunal de Contas da União, deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras figuras públicas.
Fase inicial da operação
Em fevereiro, a Polícia Federal realizou a primeira etapa da investigação, cumprindo mandados de busca e apreensão contra servidores públicos em três estados. Os funcionários foram ouvidos para esclarecer supostos vazamentos de dados da Receita Federal.
Auditoria da Receita Federal
Segundo nota oficial, a Receita instaurou auditoria prévia antes da operação da PF e, em 12 de janeiro, recebeu pedido do STF para verificar acessos irregulares a dados de ministros e familiares nos últimos três anos. A Corregedoria do órgão já havia aberto procedimento no dia anterior após notícias veiculadas pela imprensa.
A Receita ressaltou que não tolera desvios envolvendo sigilo fiscal, informou ter reforçado controles de acesso desde 2023 e concluiu sete processos disciplinares, resultando em três demissões. A auditoria, que examina dezenas de sistemas, segue em andamento; indícios de irregularidades já foram comunicados ao relator no Supremo.
Os sistemas da Receita, acrescenta a nota, possuem rastreabilidade total, permitindo detectar, auditar e punir qualquer uso indevido dos dados, inclusive na esfera criminal.
Com informações de G1

