Casos de violência doméstica envolvendo policiais civis de SP chegam a 300 em quatro anos

São Paulo — A Corregedoria da Polícia Civil paulista instaurou 300 procedimentos para apurar episódios de violência doméstica atribuídos a agentes da corporação entre 2022 e 2025, o equivalente a uma nova ocorrência a cada cinco dias.

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Evolução dos registros

Os dados oficiais mostram crescimento anual: foram 64 procedimentos em 2022, 69 em 2023, 78 em 2024 e 89 no ano passado. Os números englobam apurações preliminares, inquéritos policiais, sindicâncias e processos administrativos.

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Integrantes da própria Corregedoria admitem subnotificação. Segundo fonte ouvida sob reserva, vítimas relutam em denunciar por temor de retaliação e constrangimento em delegacias onde colegas do agressor trabalham.

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Monitoramento eletrônico inédito

Para reforçar o controle, a instituição decidiu adotar tornozeleiras eletrônicas em policiais investigados por violência doméstica que estejam sujeitos a medidas protetivas de distanciamento. Dois agentes suspeitos de corrupção serão os primeiros a usar o equipamento, marcado internamente como mudança de postura disciplinar.

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Casos emblemáticos

Entre as ocorrências que expuseram o problema está a do investigador Alessandro Ferrante. A apuração teve início em 27 de novembro de 2022, após denúncia de agressão contra a esposa, também policial civil. No dia seguinte, equipes da Corregedoria encontraram em um apartamento ligado a Ferrante cédulas que somaram pouco mais de R$ 2 milhões, além de cerca de 20 armas de fogo — apenas uma sem registro.

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O processo aponta reincidência: Ferrante já havia sido condenado por lesão corporal contra uma ex-companheira. A descoberta do dinheiro originou inquérito por possível lavagem de dinheiro e, posteriormente, investigação civil do Ministério Público por enriquecimento ilícito. Em 5 deste mês, ação foi protocolada na 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, que já analisa quebras de sigilo bancário e fiscal. A defesa afirma que a quantia pertence a um parente, tese contestada pela Promotoria, que pediu confisco dos valores.

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Núcleo especializado

Com a escalada dos casos, a Corregedoria criou um núcleo exclusivo para acompanhar processos de violência doméstica envolvendo policiais civis e fiscalizar o cumprimento de decisões judiciais, numa tentativa de ampliar a proteção às vítimas.

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Embora os 300 procedimentos configurem o retrato oficial, o próprio órgão de controle reconhece que o cenário pode ser mais amplo, exigindo mecanismos adicionais de prevenção e responsabilização dentro da força policial.

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Com informações de Metrópoles

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