O estado de São Paulo registrou mais de 281 mil boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher em 2025, média de um caso a cada dois minutos, segundo estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Entre janeiro e dezembro do ano passado, foram contabilizados ocorrências de feminicídio, estupro, lesão corporal, ameaça, calúnia, injúria e difamação. Crimes contra o patrimônio, como roubo e extorsão mediante sequestro, não entram nesse balanço.
Os dados revelam trajetória oposta entre homicídios em geral e aqueles com vítimas do sexo feminino. Enquanto os assassinatos totais caíram 3,1%, passando de 2.517 para 2.438 registros, as mortes de mulheres – incluindo feminicídios – subiram 6,4%, de 421 para 448, na comparação entre 2024 e 2025.
A SSP também contabilizou 98.820 registros de ameaça e 68.842 casos de lesão corporal dolosa praticados contra mulheres. Já calúnia, injúria e difamação somaram mais de 77 mil boletins.
A sensação de risco constante acompanha mulheres entrevistadas nas ruas da capital. A estudante Maila Maricato, 20 anos, relata medo de caminhar sozinha: “Toda sombra pode ser um perigo”. A cozinheira Elizete Maria de Jesus, 54, afirma que “não se anda mais tranquila”.
Para a body piercer Talita Porto Mendonça, 31, sair em qualquer horário pode resultar em assédio: “Pode ser 14h ou 21h, para mim é perigoso do mesmo jeito”. No transporte público, a estudante Bruna Mascher, 36, diz ficar “sempre muito alerta” a atitudes maliciosas. A advogada Laís Almeida Mota, 27, acrescenta que “só pelo fato de ser mulher, já existe uma violência de gênero explícita”.
A SSP destaca que São Paulo possui 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), 18 delas em regime de plantão 24 horas. Entre 2023 e 2026, foram implantadas 111 Salas DDMs, totalizando 173 salas onde vítimas podem ser atendidas por videoconferência, conforme prevê a Lei Federal nº 14.541/23.
Desde setembro de 2023, 712 agressores passaram a usar tornozeleira eletrônica; 189 equipamentos seguem ativos. O monitoramento resultou em 211 conduções a delegacias e 120 prisões por descumprimento de medidas protetivas.
O aplicativo SP Mulher Segura reúne 45,7 mil usuárias e já recebeu 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, ferramenta que conecta vítimas diretamente à polícia.
Apesar das iniciativas, os números evidenciam que a violência de gênero segue em patamar elevado no maior estado do país.
Com informações de Metrópoles
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