O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, trabalha para reposicionar o partido mais perto do centro político desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta articulação golpista. A manobra tenta conciliar o respeito institucional à decisão da Corte com a manutenção do capital eleitoral da direita, majoritária na legenda.
Valdemar tem declarado que a condenação deve ser acatada, embora considere as penas “exageradas”. Paralelamente, defende que o Congresso discuta um projeto de anistia capaz de devolver a elegibilidade a Bolsonaro. Segundo ele, a proposta já conta com apoio de PP e União Brasil e aguarda posição do Republicanos. O governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) desponta como principal fiador da medida, enquanto o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também acena favoravelmente.
Nas entrevistas recentes, o dirigente classificou os bolsonaristas mais fiéis como “pessoal da direita” e citou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como o rosto mais resistente a mudanças. Valdemar afirmou, porém, que todas as decisões estratégicas são tomadas em conjunto com o ex-presidente.
A nova linha tenta reduzir o confronto direto com o Judiciário e abrir espaço para acordos com siglas de centro-direita visando às eleições de 2026. Para analistas políticos Leandro Gabiati (Dominium) e Marcus Deois (Ética), o movimento reflete o perfil historicamente pragmático de Valdemar, mas enfrenta resistência de parlamentares que dependem do discurso bolsonarista.
No sábado, 13 de setembro, durante o Rocas Festival, em Itu (SP), Valdemar disse que se “falou muito em golpe”, mas classificou os atos de 8 de Janeiro em Brasília como “baderna de pés-de-chinelo” e sugeriu a presença de infiltrados. Após repercussão negativa, ele afirmou em 15 de setembro ter se expressado de forma hipotética e negou qualquer plano efetivo de golpe.
O presidente do PL também declarou não duvidar da urna eletrônica, embora defenda melhorias no sistema. Segundo ele, a contestação de parte das urnas em 2022 atendeu a pressões internas do partido.
Imagem: Valter Campanato
Se a inelegibilidade de Bolsonaro se mantiver, Valdemar indica que o PL seguirá a posição do ex-presidente na escolha de um nome para o Planalto — Tarcísio de Freitas é o favorito. A possibilidade gera atrito com Eduardo Bolsonaro, que ameaça deixar o partido caso o governador se filie e assuma a liderança do projeto eleitoral. O deputado, que conta com pressões da Casa Branca pela reversão da condenação do pai, também se coloca como eventual candidato caso a anistia não avance.
Antes de ingressarem no PL em 2021, Bolsonaro e aliados tentaram criar o partido Aliança pelo Brasil, sem sucesso, movimento lembrado agora por Eduardo ao discutir seu futuro político.
Com informações de Gazeta do Povo
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