Uma série histórica de mais de três décadas indica que os ursos-polares do arquipélago de Svalbard, no mar de Barents, vêm ganhando peso apesar da contínua retração do gelo marinho no Ártico. O achado contraria a expectativa de que a redução da plataforma de caça levaria, de forma direta, ao emagrecimento da espécie.
Cientistas noruegueses acompanham, desde o fim da década de 1980, peso, tamanho e reservas de gordura dessa população isolada. O banco de dados permitiu identificar oscilações na condição corporal dos animais ao longo do tempo.
Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, as medições registraram queda no índice de gordura dos ursos. Avaliações posteriores, entretanto, apontaram recuperação parcial, levando pesquisadores a reavaliar a relação direta entre perda de gelo e saúde dos animais.
Os dados sugerem que a melhoria está associada à diversificação alimentar:
Além disso, a redução histórica da caça ao urso-polar diminuiu a pressão sobre a população local, enquanto a densidade atual de indivíduos segue abaixo do limite que o ecossistema suportou no passado, resultando em menor competição por alimento.
Os pesquisadores destacam que a estratégia depende da existência de gelo sazonal. Caso o derretimento avance a ponto de eliminar completamente a cobertura em determinadas épocas do ano, a base alimentar pode entrar em colapso. Outros pontos do Ártico onde o gelo some por períodos prolongados já registram queda no número de ursos.
O caso de Svalbard funciona, assim, como sinal de alerta e laboratório natural: mostra que a espécie possui certa flexibilidade, mas segue vulnerável ao ritmo acelerado de aquecimento no extremo norte do planeta.
Com informações de Olhar Digital
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Esta página foi gerada pelo plugin
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!