O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve na segunda-feira (6) uma videoconferência de aproximadamente 30 minutos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dando sequência à breve aproximação iniciada no encontro da Assembleia Geral da ONU, em setembro. Durante a conversa, descrita como cordial pelos dois governos, Trump voltou a classificar Lula como “um homem bom” e reforçou a intenção de manter um canal direto de diálogo.
Analistas ouvidos pela reportagem apontam que o gesto sinaliza uma mudança tática da Casa Branca. Há dois meses, Washington havia decretado uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros — elevando a taxação total a 50% — e aplicado sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os atos, porém, não produziram o impacto político esperado, tampouco interferiram nos processos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Com efeitos econômicos pontuais e sem avanços na pressão sobre o Judiciário brasileiro, Trump passou a apostar em um tom mais conciliador. O movimento também visa retirar de Lula o argumento de que a escalada tarifária impediria negociações bilaterais, avaliação de especialistas.
Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, a reunião não havia sido anunciada previamente. Além de Lula, participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin e assessores diretos. A maior parte do tempo foi dedicada a cumprimentos, troca de contatos telefônicos e manifestações de simpatia mútua. Temas sensíveis — tarifas e sanções — foram apenas citados, sem compromissos ou prazos.
Os presidentes planejam um encontro presencial, ainda sem data, que pode ocorrer no Brasil, nos Estados Unidos ou em um terceiro país, possivelmente a Malásia.
Para manter viva a negociação, Trump nomeou o secretário de Estado Marco Rubio como interlocutor principal. Conhecido crítico do PT e do ativismo judicial brasileiro, Rubio foi solicitado por Lula a atuar “sem preconceito”. A oposição no Brasil celebrou a escolha, indicando que o senador deverá cobrar recuos do STF e questionar possíveis abusos.
Washington segue interessado em cooperação nas áreas de minerais raros e no enfrentamento ao narcotráfico. Lula, por sua vez, citou o superávit comercial brasileiro com os EUA e pediu “maturidade” nas tratativas, mas incluiu novamente na pauta o debate sobre sanções a autoridades — movimento interpretado como um aceno ao Judiciário.
Imagem: YURI GRIPAS
Especialistas lembram que a dinâmica bilateral tem sido fortemente influenciada por grupos privados. Importadores norte-americanos de café e carne, além de representantes do agronegócio brasileiro, teriam sido decisivos para aliviar parte das taxas impostas nos últimos meses, superando a atuação formal do Itamaraty.
O professor Daniel Afonso Silva, da USP, avalia que o Brasil permanece secundário na agenda externa de Trump, cuja prioridade atual é conter conflitos na Ucrânia e em Gaza e enfrentar o avanço da China. Já o cientista político Antonio Flávio Testa não descarta nova rodada de sanções Magnitsky contra ministros do STF, bem como constrangimentos decorrentes da reabertura, nos EUA, de investigações ligadas à Lava Jato.
Apesar da trégua retórica, analistas concordam que a eficácia do diálogo dependerá de resultados concretos nas áreas comercial e de segurança, além da evolução do clima político interno nos dois países.
Com informações de Gazeta do Povo
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