O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), intensificou nas últimas semanas a busca por um discurso capaz de manter o apoio do eleitorado fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sem perder espaço entre eleitores de centro. A definição desse equilíbrio é vista como condição para que ele se viabilize como candidato ao Palácio do Planalto em 2026.
Nos bastidores, Tarcísio conta com a simpatia de nomes influentes da política nacional. Gilberto Kassab (PSD), Ciro Nogueira (PP) e Marcos Pereira (Republicanos) defendem abertamente sua candidatura e avaliam que o governador precisa do aval explícito de Bolsonaro, mantendo ao mesmo tempo um perfil próprio, pacificador e voltado à gestão.
Levantamento Genial/Quaest divulgado em 18 de setembro indica Tarcísio como o adversário de direita mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno: 43 % para Lula e 35 % para o governador. O estudo ouviu 2.004 eleitores entre 12 e 14 de setembro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. A pesquisa também mostra preferência da maioria dos entrevistados para que Bolsonaro desista da disputa e apoie outro nome do campo conservador.
Especialistas veem na postura oscilante de Tarcísio um cálculo eleitoral. Para Elton Gomes, professor de Ciência Política da UFPI, ele herda o capital político de Bolsonaro sem romper pontes com o centro. Adriano Gianturco, do Ibmec-BH, sustenta que, em cenários polarizados, candidatos tendem a buscar o eleitor mediano.
A estratégia, porém, ganhou novos contornos após o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista. No palanque, Tarcísio criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF), usando expressões como “ditadura da toga” e defendendo anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. A fala animou a militância conservadora e levou adversários a classificá-lo como radical.
A guinada também colocou o governador na mira da Corte. O ministro Alexandre de Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre pedido do deputado Rui Falcão (PT-SP) para investigar Tarcísio por suposta obstrução de justiça, após a ida do governador a Brasília, durante o julgamento de Bolsonaro, para articular a votação da anistia.
Em 17 de setembro, em Araçatuba (SP), Tarcísio voltou a negar pretensão presidencial, afirmando que pretende disputar a reeleição ao governo paulista. A declaração veio dias depois da condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo STF e das críticas recebidas por sua atuação em favor da anistia.
Imagem: Reprodução
Apesar da negativa, dirigentes de partidos de direita e centro-direita tratam sua candidatura como hipótese concreta. Marcos Pereira admitiu a possibilidade em agosto. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, mantém o discurso de apoio a Bolsonaro, mas diz que a decisão final caberá ao ex-presidente e, caso recaia sobre Tarcísio, caberá ao governador filiar-se ao PL. No PSD, Kassab afirma que Tarcísio seria o “nome único” da centro-direita, e já há acenos para que Ciro Nogueira componha a chapa como vice.
Lideranças governistas criticam a postura recente do governador. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), declarou que “caiu a máscara” de Tarcísio, classificando-o como militante antidemocrático. Para o professor de estatística da Unicamp Paulo Guimarães, qualquer candidato apoiado por Bolsonaro carregará a rejeição associada ao ex-presidente.
Entre pressões da base bolsonarista e o interesse em ampliar pontes com o centro, Tarcísio de Freitas tenta definir qual caminho seguirá até 2026, sem descartar que, mesmo concorrendo à reeleição em São Paulo, dependerá do apoio de Bolsonaro para se manter relevante no tabuleiro nacional.
Com informações de Gazeta do Povo
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