O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (24) o julgamento que definirá os limites para a chamada “busca reversa” — ordem judicial que obriga plataformas de pesquisa a revelar dados de usuários não identificados. Os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques votaram para restringir a medida a investigações de crimes hediondos.
O processo julga recurso apresentado pelo Google contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que autorizou a Polícia Civil a obter informações sobre todas as pessoas que, entre 10 e 14 de março de 2018, pesquisaram termos relacionados à vereadora Marielle Franco. A empresa não entregou integralmente os dados e recorreu ao STF.
Em voto-vista, Gilmar Mendes concordou parcialmente com o entendimento do ministro Alexandre de Moraes, mas impôs critérios mais rígidos. Para o decano, só é admissível quebrar o sigilo de buscas quando houver:
“A limitação da medida parece essencial para garantir que o menor número possível de pessoas alheias ao crime seja alcançado”, afirmou.
Nunes Marques também defendeu parâmetros claros para a autorização judicial, salientando que a coleta deve ser subsidiária, direcionada e restrita a crimes graves. “O mandado precisa conter recortes temáticos, geográficos e temporais convenientes”, declarou.
Com os novos posicionamentos, o placar parcial fica assim:
Imagem: Gustavo Moreno
Faltam votar Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Luiz Fux. O ministro Flávio Dino não participará porque assumiu a cadeira de Rosa Weber, cujo voto permanece válido. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, declarou impedimento.
O julgamento será retomado nesta quinta-feira (25). Como o caso tem repercussão geral, a decisão orientará processos semelhantes em tribunais de todo o país.
Com informações de Gazeta do Povo
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