O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para a próxima sexta-feira (13) o julgamento de um recurso com repercussão geral que pode alterar o alcance da Lei da Anistia em crimes ligados à ditadura militar de 1964. A Corte decidirá se a anistia alcança práticas de ocultação de cadáver iniciadas antes, mas que teriam continuado após a sanção da lei, em 1979.
A ação foi proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2015, na Vara Federal de Marabá (PA). O processo acusa os então tenentes-coronéis do Exército Lício Augusto Ribeiro Maciel e Sebastião Curió Rodrigues de executarem e esconderem os corpos de três militantes do PCdoB durante a Guerrilha do Araguaia. A primeira instância rejeitou a denúncia, entendendo que os fatos estavam cobertos pela anistia; o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) manteve essa decisão.
Relator do caso no STF, Dino já adiantou seu posicionamento ao reconhecer a repercussão geral. Para ele, a ocultação de cadáver é um crime permanente, que “continua se consumando inclusive na presente data”, argumento que afastaria a aplicação da anistia aos atos ocorridos depois de 1979.
Durante o voto que determinou a análise do tema pelo Plenário, o ministro citou o filme Ainda Estou Aqui, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, para reforçar a dor de familiares que nunca puderam enterrar seus desaparecidos.
Como a decisão terá repercussão geral, o entendimento firmado passará a orientar processos semelhantes em todas as instâncias da Justiça.
Com informações de Gazeta do Povo
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Esta página foi gerada pelo plugin
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!