STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro e pena por tentativa de golpe pode ser executada em breve

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, na tarde de segunda-feira (24), a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Preso no sábado (22) por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro permanece custodiado na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.

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Por que a prisão foi decretada

Moraes apontou dois motivos principais para converter a prisão domiciliar em preventiva: a convocação de uma vigília religiosa em frente à residência do ex-presidente, organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e indícios de que Bolsonaro poderia buscar refúgio em embaixadas para evitar o cumprimento de pena.

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Desde agosto, o ex-chefe do Executivo estava em prisão domiciliar no âmbito de um inquérito que investiga suposta coação ao STF feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que o parlamentar atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades e criar instabilidade institucional no Brasil, inclusive por meio de possíveis sanções econômicas e da suspensão de vistos de ministros do Supremo.

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Votos da Primeira Turma

No julgamento virtual, os quatro ministros que integram o colegiado acompanharem Moraes e entenderam que Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica e representava risco de fuga. Especialistas, porém, consideram frágeis os fundamentos apresentados. O constitucionalista André Marsiglia sustenta que a mera tentativa de romper o equipamento não autoriza, por si só, a prisão preventiva sem que a defesa seja previamente ouvida.

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O criminalista Márcio Nunes classifica a convocação de uma vigília como fato irrelevante para justificar a detenção e lembra que não há prova concreta de que Bolsonaro planejava sair do país.

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Possível conversão em prisão definitiva

Paralelamente, o processo em que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado está na reta final de recursos. O prazo para apresentação de novos embargos pelo chamado “Núcleo 1” — que inclui Bolsonaro e outros seis réus — termina também nesta segunda-feira (24).

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Se o relator considerar o recurso meramente protelatório, o acórdão pode transitar em julgado imediatamente, transformando a atual detenção cautelar em cumprimento de pena. Para o doutor em Direito Luiz Augusto Módolo, a mudança pode ocorrer “em breve”, caso não haja acolhimento dos embargos.

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Imagem: Rosinei Coutinho e T Molina

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Cenário para outros investigados

O general Walter Braga Netto, igualmente condenado no mesmo núcleo, já está preso preventivamente desde dezembro de 2024. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), teve a prisão decretada na semana passada após permanecer nos Estados Unidos desde setembro; ele alega proteger a família.

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Segundo o penalista Matheus Herren Falivene, caso o STF identifique risco de fuga entre réus de outros núcleos que ainda aguardam julgamento de recursos, novas ordens de prisão podem ser expedidas.

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Destino de Bolsonaro caso a pena seja executada

Márcio Nunes avalia que, em caso de prisão definitiva, é improvável que Bolsonaro permaneça na PF ou volte ao regime domiciliar. O cenário mais provável, afirma, seria transferência para o Complexo Penitenciário da Papuda ou para uma instalação das Forças Armadas.

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Até que os prazos recursais se esgotem, Bolsonaro seguirá preso preventivamente, enquanto a defesa tenta evitar o trânsito em julgado da condenação por tentativa de golpe.

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Com informações de Gazeta do Povo

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