Um estudo preliminar conduzido por Slava G. Turyshev, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, indica que o Sol poderá funcionar como um gigantesco telescópio natural dentro de poucas décadas. A pesquisa, hospedada no repositório arXiv e ainda sem revisão por pares, avalia tecnologias de propulsão capazes de levar uma espaçonave até a chamada linha focal da lente gravitacional solar (SGL), situada entre 650 e 900 unidades astronômicas (UA) de distância.
Prevista pela teoria da relatividade geral, a curvatura do espaço-tempo causada por objetos massivos pode desviar e ampliar a luz de alvos distantes. Usar o próprio Sol como lente permitiria observar detalhes inéditos de exoplanetas, superando a capacidade de telescópios como o Hubble. O conceito foi descrito pela primeira vez em 1979 pelo cientista Von Russel Eshleman.
A sonda teria de sustentar apontamento preciso próximo ao limbo solar, executar movimentos laterais para varrer o campo de visão e manter comunicações numa região onde o fluxo de energia é até 810 mil vezes mais fraco que na órbita da Terra. Nessas condições, painéis solares não seriam suficientes; seriam necessários geradores de radioisótopos ou sistemas de fissão.
Para efeito de comparação, a Voyager 1 — lançada em 1977 — encontra-se a cerca de 170 UA após quase meio século de viagem.
De acordo com Turyshev, a propulsão química convencional não consegue cumprir o trajeto em prazo viável, mesmo com assistências gravitacionais. Já velas solares e sistemas NEP permanecem em estágio inicial de desenvolvimento. Um início de missão entre 2035 e 2040 dependerá de demonstrações tecnológicas até o começo da década de 2030.
Embora ainda distante de confirmação, a ideia integra o programa Innovative Advanced Concepts da NASA, que avalia propostas de alto risco e potencial revolucionário.
Se concretizado, o projeto transformaria o Sol em uma lente de observação sem precedentes para estudar mundos além do Sistema Solar.
Com informações de Olhar Digital
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