A megaoperação que resultou em pelo menos 119 mortos no Rio de Janeiro transformou a segurança pública na principal disputa política em Brasília. O episódio acirrou o confronto entre base governista e oposição e acelerou a análise de projetos que endurecem o combate às facções criminosas.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentram esforços na Proposta de Emenda à Constituição 18/2025, a chamada PEC da Segurança Pública. O texto dá status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), amplia o compartilhamento de inteligência, impede a progressão de regime para criminosos de alta periculosidade, cria o Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social e inclui as guardas municipais no sistema.
Relator da matéria, o deputado Mendonça Filho (União-PE) prevê entregar parecer no fim de novembro, colocar a proposta em votação na comissão especial no início de dezembro e levá-la ao plenário ainda neste ano. Segundo ele, o trâmite foi acelerado a pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Apesar do apoio do Palácio do Planalto, governadores manifestam receio de perda de autonomia. Em dezembro de 2024, o Cosud — consórcio que reúne estados do Sul e Sudeste — divulgou carta contra mudanças que “engessem” a gestão estadual da segurança. Durante audiência na Câmara, o secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, criticou eventual centralização federal.
Paralelamente, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou projeto de lei que aumenta penas para integrantes e financiadores de organizações criminosas, amplia o confisco de bens e restringe a progressão de regime. O texto, que altera o Código Penal, o Código de Processo Penal e outras seis leis, está na Casa Civil e deve ser enviado ao Congresso com urgência constitucional até o início de dezembro.
Para contrapor a agenda do governo, o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) reuniu assinaturas para pedir urgência ao Marco Legal de Combate ao Crime Organizado. A proposta endurece dispositivos penais, trata da infiltração de facções na economia formal e eleva a punição para roubo de cargas e combustíveis, que passariam a ser considerados crimes contra a ordem econômica.
Enquanto novos projetos tramitam, Câmara e Senado avançam em outras iniciativas:
Imagem: Lula Marques
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou a instalação, na próxima terça-feira (4), de uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a estrutura, expansão e funcionamento de facções e milícias em todo o país.
O clima de urgência foi sintetizado pelo deputado Luiz Lima (Novo-RJ), que classificou a situação no Rio como “cenário de guerra”. Do lado governista, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), defendeu medidas “estruturantes” e rejeitou discurso exclusivamente repressivo.
Com trocas de acusações e diferentes propostas em disputa, a segurança pública tornou-se o principal campo de batalha legislativa no fim de 2025.
Com informações de Gazeta do Povo
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Esta página foi gerada pelo plugin
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!