Reitora da UFRGS alerta para “ataque global” às universidades públicas e cobra maior diálogo com a população

A física Márcia Cristina Bernardes Barbosa, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e incluída pela revista Forbes na lista de mulheres que transformam a ciência, afirmou que universidades públicas e comunitárias em todo o mundo enfrentam um movimento para desacreditá-las. A declaração foi feita em entrevista exibida na terça-feira (17) no programa Conexão Roberto D’Avila, da GloboNews.

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Segundo a reitora, o processo é impulsionado por interesses de grandes empresas de tecnologia que tentam criar “conglomerados de ensino” de qualidade inferior, comparados por ela a redes de fast food. “Quem pensa fora da caixa é a universidade”, disse, ao criticar cursos oferecidos por big techs como suposta substituição do ambiente de pesquisa acadêmica.

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Universidades como executoras de políticas públicas

Barbosa ressaltou que as instituições de ensino superior têm papel decisivo na implementação de políticas públicas e na formação em larga escala, algo que, em sua avaliação, o governo não consegue fazer sozinho. Como exemplo, citou o Projeto Mais Saúde com Agente, parceria da UFRGS com o Ministério da Saúde que oferece ensino a distância para Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A iniciativa, informou, está qualificando mais de 400 mil profissionais.

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Comunicação direta e diversidade

Para enfrentar o que chama de ofensiva contra o ensino público, a reitora defendeu que as universidades estreitem a comunicação com a sociedade, utilizando linguagem acessível, presença em eventos, ruas e redes sociais. “Isso não é confortável, não é acadêmico, mas vamos morrer se não fizermos”, alertou.

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Barbosa também destacou a importância da equidade para a inovação. Citando o estudo Diversity Matters, da consultoria McKinsey, ela afirmou que empresas com maior equilíbrio de gênero e raça registram melhores resultados financeiros. Na visão da reitora, o sistema de cotas ampliou o acesso, mas é preciso garantir que diferentes perspectivas participem efetivamente das decisões universitárias.

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“Se 20 pessoas na mesma sala tiverem a mesma formação e visão de mundo, chegarão à mesma solução. Quando há visões diferentes, surgem conhecimento, ciência e disrupção”, concluiu.

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Com informações de G1

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