Curitiba – O advogado Ricardo Scheiffer afirmou que o ex-assessor presidencial Filipe Martins foi removido da Casa de Custódia de Ponta Grossa para o Complexo Médico Penal (CMP), na Região Metropolitana de Curitiba, em 6 de janeiro, após um princípio de rebelião provocado por presos que se revoltaram com o tratamento diferenciado concedido a ele.
Segundo o defensor, a direção da unidade colocou Martins em uma cela individual por causa de sua exposição pública. A decisão gerou descontentamento entre detentos ligados a facções e em um ambiente já marcado pela superlotação, o que levou a ameaças de insurreição. Para conter a tensão, a Polícia Penal paranaense decidiu transferir o ex-assessor em caráter de “urgência operacional”, sem solicitar a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável pelo processo.
A operação foi revertida pelo próprio Moraes. Em despacho de advertência expedido na sexta-feira (27), o ministro pediu explicações formais sobre a mudança e, no sábado seguinte (28), determinou o retorno do detento à Casa de Custódia. A Polícia Penal só encaminhou os esclarecimentos na segunda-feira (2), reiterando que a medida visava preservar a integridade física de Martins.
A defesa informou que não foi avisada previamente da transferência, mas, posteriormente, tomou conhecimento das hostilidades relatadas dentro da prisão. Condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de reclusão por suposta participação na elaboração da chamada “minuta do golpe”, o ex-assessor é apontado como um dos articuladores de um plano para contestar o resultado das eleições de 2022.
Uma fonte ligada a uma organização de direitos humanos disse, sob condição de sigilo, ter levado o episódio ao governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). De acordo com esse relato, o chefe do Executivo estadual preferiu não interferir para evitar atritos com Moraes. Scheiffer afirma ver falta de empenho político na proteção do cliente, apesar de o governador cultivar apoio da direita e já ter mencionado a possibilidade de indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026.
A reportagem procurou o gabinete de Ratinho Júnior e a Polícia Penal do Paraná. Até o fechamento desta edição, não houve manifestação dos citados.
Com informações de Gazeta do Povo
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