Prisão de Daniel Vorcaro expõe fraudes que aceleraram a queda do Banco Master

São Paulo – A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (4) o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apura ameaças, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas atribuídos a uma organização criminosa.

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A nova detenção acontece quatro meses após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida que também atingiu o Will Bank e o Banco Pleno, instituições pertencentes ao mesmo grupo.

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Crise de liquidez e ofertas de CDBs fora do padrão

O Banco Master começou a chamar atenção do mercado ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração que chegava a 180% do CDI, muito acima dos 100% a 105% pagos por bancos considerados saudáveis. Especialistas afirmam que as taxas elevadas indicavam dificuldade de captação e riscos de inadimplência.

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Para sustentar os juros prometidos, a instituição teria registrado ativos de baixa qualidade como se fossem de primeira linha e usado recursos de novos aplicadores para honrar compromissos antigos, segundo as investigações.

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Carteiras de crédito falsas e negócios frustrados

Inquérito da PF aponta a criação de carteiras de crédito inexistentes, transferidas a outra instituição e depois substituídas por títulos sem avaliação técnica. Parte dessas operações envolveu créditos da empresa Tirreno, repassados ao Banco de Brasília (BRB), que desembolsou R$ 12,2 bilhões para socorrer o caixa do Master, enquanto negociava a compra de 58% do capital por cerca de R$ 2 bilhões. O negócio, porém, não avançou diante de questionamentos de órgãos de controle e do próprio Banco Central.

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FGC assume prejuízos bilionários

Com a liquidação decretada em novembro, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passou a reembolsar clientes do Master, do Will Bank e do Banco Pleno. A conta pode chegar a R$ 51 bilhões; até o momento, R$ 37,2 bilhões já foram pagos a 653 mil credores da instituição principal. Valores acima de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ entraram na lista da massa falida e só serão quitados conforme a venda de ativos.

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Histórico do grupo

Fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores, o conglomerado ampliou operações nas décadas seguintes e passou a se chamar Banco Master. Nos últimos anos, a estratégia de oferecer produtos com retornos muito superiores à média atraiu milhares de investidores, mas elevou o risco da operação.

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Em maio do ano passado, o banco obteve uma linha emergencial de R$ 4 bilhões do FGC para tentar equilibrar o caixa, mas o socorro não evitou o colapso. Pouco antes da liquidação, um consórcio da holding Fictor e de investidores dos Emirados Árabes Unidos chegou a propor um aporte imediato de R$ 3 bilhões, oferta que se tornou inviável após a intervenção do Banco Central.

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Vorcaro já havia sido detido em novembro, quando tentava sair do país em voo particular. A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens ligados aos investigados. A PF estima que o esquema tenha movimentado aproximadamente R$ 12 bilhões em fraudes.

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Com a administração afastada, o liquidante nomeado pelo BC conduz o levantamento de ativos e dívidas do grupo, enquanto correntistas seguem impedidos de realizar retiradas. Empréstimos contratados junto ao banco continuam válidos e devem ser pagos normalmente.

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Com informações de G1

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