Polícia Federal aponta retrocesso em parecer de Derrite sobre projeto antifacção

Brasília — A Polícia Federal divulgou, na noite de segunda-feira (10), nota pública afirmando que o parecer apresentado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) ao projeto de lei antifacção ameaça enfraquecer o combate ao crime organizado no país.

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No documento, a corporação avalia que o relatório restringe “significativamente” seu papel histórico nas investigações de organizações criminosas de grande alcance. O texto elaborado por Derrite transfere a atribuição principal dos inquéritos para as Polícias Civis e condiciona a participação da PF à autorização dos governadores dos estados onde ocorram as apurações.

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Risco de operações limitadas

Segundo a nota, a exigência de pedido formal dos governos estaduais para deflagrar ações federais cria “risco real de enfraquecimento” das ofensivas contra facções envolvidas em corrupção, tráfico de drogas, desvios de recursos públicos e outros delitos. A instituição cita como exemplo a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que, na avaliação da PF, poderia não ter acontecido ou teria eficácia reduzida sob as novas regras propostas.

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Reações no governo

Integrantes do Executivo também criticaram o parecer. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou na rede social X que “não haverá acordo” que suprima competências e autonomia da Polícia Federal, classificando o relatório como “presente para as facções”.

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Mais cedo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu-se com Derrite e com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para discutir os ajustes no projeto.

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Imagem: Rafa Neddermeyer

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Posicionamento da Receita Federal

Em nota, a Receita Federal reforçou a preocupação, argumentando que depende da atuação independente da PF para desmantelar o financiamento de organizações criminosas. O órgão afirmou que subordinar as investigações à anuência dos governadores fere o artigo 144 da Constituição e abre “margem para inaceitável interferência” na esfera federal.

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O projeto de lei antifacção foi enviado pelo governo ao Congresso com o objetivo de ampliar instrumentos de enfrentamento ao crime organizado. As alterações sugeridas pelo relator seguem em debate na Câmara dos Deputados.

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Com informações de Gazeta do Povo

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