Quase três anos após conquistar a maior bancada da Câmara dos Deputados, o Partido Liberal (PL) tornou-se a legenda que mais perdeu parlamentares na atual legislatura. Desde fevereiro de 2023, 12 deputados deixaram o partido, dois foram expulsos e apenas três ingressaram na sigla ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Com isso, a bancada caiu de 99 para 88 cadeiras.
Os reforços no período foram o líder da oposição, Luciano Zucco (RS), ex-Republicanos; Ricardo Guidi (SC), vindo do PSD; e Osmar Terra (RS), que trocou o MDB pelo PL.
Entre as baixas, as principais legendas de destino foram o Progressistas (PP) e o Republicanos. O PL também expulsou Antonio Carlos Rodrigues (SP) — que elogiou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) — e Yuri do Paredão (CE), punido após posar em foto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A saída de parlamentares expôs o choque entre a ala mais ideológica e os deputados de perfil pragmático. Ricardo Salles (SP), por exemplo, voltou ao Novo sob a alegação de incômodo com a aproximação do PL com o Centrão. Já Samuel Viana (MG) atribuiu sua desfiliação às críticas que recebia por apoiar pautas do governo, como a Reforma Tributária e o Arcabouço Fiscal. “O radicalismo e o extremismo tomaram conta das orientações do partido”, afirmou ao jornal O Globo.
Para o cientista político Elias Tavares, o movimento reflete um cálculo eleitoral. Segundo ele, a diminuição do protagonismo direto de Jair Bolsonaro estimula deputados a procurar siglas de “direita mais moderada”, onde há maior possibilidade de disputar vagas majoritárias em 2026.
Mesmo perdendo quadros, o PL continua atraindo nomes alinhados à pauta conservadora. Ao ingressar no partido, Osmar Terra alegou afinidade com a oposição ao aborto, às drogas e à “ideologia de gênero”, além da defesa de um modelo econômico liberal. O deputado declarou que a “redemocratização do país”, com críticas a decisões do STF, é prioridade da bancada.
O advogado especialista em Direito Eleitoral Peterson Vivan lembra que a cláusula de barreira, que reduziu de 30 para 16 o número de partidos na Câmara entre 2018 e 2025, ampliou a importância de siglas com capilaridade, tempo de televisão e margem de negociação com o governo, características de PP e Republicanos.
Imagem: Saulo Cruz
Quem mais ganhou deputados: Podemos (+5), Republicanos (+4), PP (+4), PSD (+3), PSB (+2), Novo (+2), MDB (+1), Psol-Rede (+1), Solidariedade (+1).
Quem mais perdeu: PL (-12), PT-PV-PCdoB (-1), PSDB-Cidadania (-1), PDT (-1).
Segundo aliados, o PL tende a manter a linha de oposição rígida, mesmo com a redução de cadeiras, apostando na fidelidade ao bolsonarismo como forma de consolidar sua identidade para as eleições de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo
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