Após pouco mais de três anos à frente do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad (PT) entregou uma economia com Produto Interno Bruto (PIB) acima das projeções e inflação controlada, mas viu a dívida pública aumentar e a confiança do mercado oscilar.
Em 2023, primeiro ano de gestão, o déficit primário somou R$ 249 bilhões, mesmo após a aprovação do novo arcabouço fiscal. Para 2024, o rombo recuou a R$ 47,6 bilhões, mas a revisão das metas na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de abril de 2024 adiou o superávit previsto para 2026, reforçando críticas de investidores.
Medidas para elevar a receita — como o aumento do IOF e a “taxa das blusinhas”, que cobra 20% de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 — não foram acompanhadas de cortes expressivos de despesas. Economistas apontam a manutenção de regras que elevam gastos automaticamente e a falta de mudanças em benefícios como aposentadorias, abono salarial, seguro-desemprego e BPC.
Desde janeiro de 2023, a dívida bruta do governo subiu cerca de sete pontos percentuais e alcançou 78,66% do PIB. O Tesouro Nacional projeta que o indicador chegue a 83,6% ainda este ano. Especialistas afirmam que o nível atual não configura desastre fiscal, mas exigirá superávits primários maiores para estabilizar a curva nos próximos anos.
Em dezembro de 2023, o Congresso aprovou a reforma tributária sobre o consumo, criando um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), uma cesta básica nacional isenta de tributos e o chamado Imposto Seletivo. Analistas consideram o avanço um dos principais trunfos de Haddad, embora destaquem que a etapa sobre renda ainda precise ser discutida.
O PIB cresceu acima das estimativas em todos os anos da gestão. Em 2025, avançou 2,3% segundo o IBGE, marcando o quinto resultado positivo consecutivo, apesar da taxa Selic mantida em 15% ao ano desde junho de 2025. A política monetária rígida contribuiu para que a inflação ficasse dentro do intervalo de tolerância em dois dos três anos do período.
No mercado de trabalho, a taxa média de desemprego caiu para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, enquanto o rendimento real médio dos ocupados subiu 5,7% em relação a 2024, atingindo R$ 3.560.
A disposição de Haddad em dialogar com analistas no início do mandato agradou investidores, mas a dificuldade em conter gastos e as mudanças recorrentes nas metas fiscais abalaram a credibilidade. Mesmo com iniciativas pontuais de ajuste, como o pacote de novembro de 2024 que prometia economizar R$ 70 bilhões em dois anos, novas despesas — a exemplo da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil — geraram dúvidas sobre o compromisso com o equilíbrio das contas.
Na avaliação de especialistas, o ministro acumulou vitórias importantes, mas ainda enfrenta o desafio de conciliar crescimento econômico sustentado com uma trajetória de dívida considerada segura pelo mercado.
Com informações de G1
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