Fortaleza – A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (17) uma operação contra a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) por suposta participação em um esquema de descontos irregulares aplicados pela Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), sediada na capital cearense. A parlamentar passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2023, a própria presidente formal da Aapen, Francisca da Silva de Souza, de 72 anos, acionou a Justiça após descobrir que ocupava o cargo sem jamais ter sido informada. Moradora da periferia de Fortaleza, analfabeta e pensionista do INSS, ela relatou ter assinado documentos ao ser procurada por uma mulher identificada como Liduína, que lhe prometeu um empréstimo. Desde então, passou a receber centenas de cobranças judiciais – mais de 200 ações tinham seu nome, segundo a Defensoria Pública do Ceará, que classificou a idosa como “laranja” do esquema.
Na época em que Francisca constava como dirigente, a Aapen possuía cerca de 492 mil associados e recebia milhões de reais por mês em mensalidades debitadas diretamente das aposentadorias.
De acordo com a investigação, Gorete Pereira teria atuado como articuladora política junto ao INSS, pressionando servidores para acelerar processos e, em troca, recebendo valores por meio de intermediários e empresas de fachada. A defesa da deputada nega qualquer irregularidade e afirma que as informações da PF “não retratam a realidade”.
Além das medidas impostas à deputada, a PF prendeu preventivamente a advogada Cecília Rodrigues da Mota, presidente da Aapen antes de Francisca, e o empresário Natjo de Lima Pinheiro. Conforme o inquérito, os dois, ao lado de Gorete, controlavam várias entidades – AAPB, CAAP, Aapen e Probasp – utilizando presidentes fictícios e procurações para gerir os recursos.
A cobertura ocupada pela associação no bairro Aldeota foi esvaziada em 28 de abril, três dias após a Operação Sem Desconto. O fechamento dificultou a localização dos responsáveis e atrasou o andamento de processos movidos por aposentados que buscam ressarcimento.
Após a divulgação do caso, o governo federal lançou um plano nacional de ressarcimento. Advogados, porém, criticam a iniciativa por não assegurar o pagamento de indenizações a quem já venceu ações judiciais.
As investigações continuam sob sigilo no STF.
Com informações de G1
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