Pesquisadores da PUC-Rio aperfeiçoam produção de nanopartículas magnéticas para saúde e meio ambiente

Um estudo conduzido pelos físicos Frederico Vieira Gutierrez e Jefferson Ferraz D. F. Araujo, da PUC-Rio, apresenta um método mais simples e de baixo custo para fabricar nanopartículas magnéticas de magnetita (Fe₃O₄), apontadas como promissoras no combate ao câncer e na recuperação de áreas contaminadas.

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Escala nanométrica muda comportamento do material

As partículas produzidas têm dimensões tão reduzidas que milhões delas cabem no volume de um grão de areia. Nesse tamanho, surge o superparamagnetismo, fenômeno em que os pequenos momentos magnéticos dos átomos alinham-se quando submetidos a um campo externo e perdem o alinhamento ao fim desse estímulo. Essa característica permite guiar as nanopartículas com ímãs fora do corpo e, após o uso, eliminar sua magnetização, minimizando efeitos adversos.

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Aplicações em estudo

  • Hipertermia magnética para tratamento de tumores;
  • Agente de contraste em exames de imagem;
  • Remoção de contaminantes em água e solo;
  • Adsorção de metais pesados como chumbo, cádmio e mercúrio.
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Controle da síntese determina propriedades

No Laboratório de Instrumentação e Medidas Magnéticas da universidade, as nanopartículas foram obtidas por precipitação simultânea de íons em solução, com temperatura de síntese variando entre 40 °C e 80 °C.

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Abaixo de 60 °C: formou-se magnetita pura, estável e com comportamento superparamagnético, considerada ideal para uso biomédico. • Acima de 60 °C: ocorreu mistura de magnetita e hematita, resultando em magnetismo mais fraco, porém com maior estabilidade química.

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Esse controle fino da temperatura possibilita ajustar o magnetismo sem alterar significativamente o tamanho das partículas.

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Baixa toxicidade em testes celulares

Em experimentos realizados em colaboração com a Fiocruz, as nanopartículas demonstraram baixa toxicidade tanto em células tumorais quanto em células saudáveis. Reduções de viabilidade observadas em concentrações elevadas foram atribuídas à deposição física das partículas, e não a efeitos químicos tóxicos.

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Imagem: Acervo pessoal

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Recobrimento amplia estabilidade

Os pesquisadores aplicaram um revestimento de dodecil sulfato de sódio, surfactante que aumentou a estabilidade em solução e, em alguns casos, ampliou a magnetização. O procedimento reforça o potencial das partículas na remoção de metais pesados e em outras aplicações ambientais.

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Segundo os autores, a fabricação nacional com processos econômicos pode facilitar o acesso à nanotecnologia em tratamentos de saúde pública e em soluções para descontaminação ambiental.

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Com informações de Olhar Digital

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