Pesquisadores localizam sala do DOI-Codi onde regime militar encenou suicídio de Vladimir Herzog

Um estudo conduzido por historiadores, arqueólogos e arquitetos identificou a sala exata do antigo Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo, onde a ditadura militar simulou o suicídio do jornalista Vladimir Herzog em 25 de outubro de 1975.

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Vestígios confirmam local da encenação

A equipe examinou pisos, paredes e tetos do prédio, reformado nos anos 1980 para abrigar o Instituto de Criminalística. Mesmo após as mudanças estruturais, os pesquisadores localizaram:

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  • remendos que indicam o antigo ponto de fixação da grade da janela vista na foto divulgada pelos militares;
  • fragmentos do piso original de tacos, hoje coberto por material vinílico;
  • um buraco correspondente à caixa do ferrolho da porta retirada na reforma;
  • dobradiças originais ainda no mesmo lugar.
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A comparação desses achados com registros fotográficos e documentos da época, além do laudo sobre a morte do policial militar José Ferreira de Almeida — morto no mesmo ano e na mesma sala — reforçou a conclusão de que o espaço analisado foi palco da farsa montada para encobrir a morte de Herzog sob tortura.

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Herzog: trajetória e impacto

Diretor de jornalismo da TV Cultura e filiado ao Partido Comunista Brasileiro, Vladimir Herzog compareceu voluntariamente ao DOI-Codi após ser convocado a depor. Horas depois, foi declarado morto. A versão oficial de suicídio foi contestada desde o início por familiares, especialistas e entidades de direitos humanos. A fotografia do corpo pendurado por uma faixa causou comoção nacional e acelerou o desgaste do regime militar perante a sociedade.

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Prédio pode virar espaço de memória

O edifício onde funcionou o DOI-Codi é tombado e, desde 2021, o Ministério Público de São Paulo move ação para que a Secretaria de Segurança Pública autorize a criação de um centro de memória no local. A Secretaria da Cultura afirma que o estado já dispõe do Memorial da Resistência, mas pesquisadores defendem que o próprio cenário das torturas cumpra função educativa independente.

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“Preservar esse espaço permite que a sociedade confronte, de forma direta, um dos capítulos mais trágicos da história brasileira”, afirma um dos coordenadores da pesquisa.

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Com informações de G1

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