Brasília – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou na noite de 9 de março de 2026 um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar possíveis ligações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master.
O documento reúne 35 assinaturas – oito a mais que as 27 exigidas pelo Regimento do Senado. Entre os apoiadores estão 11 senadores do PL, incluindo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e seis parlamentares do PP, partido presidido pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Nenhum integrante de MDB ou PT subscreveu o requerimento.
O pedido agora aguarda leitura em plenário pelo presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Outros três requerimentos para instalação de CPIs também esperam despacho.
Vieira argumenta que o foco da comissão é verificar se Moraes e Toffoli mantiveram “relações pessoais, financeiras ou de outra natureza” com investigados ou empresas ligadas ao conglomerado de Vorcaro que possam comprometer a imparcialidade exigida de magistrados. O senador ressalta que não se trata de rever decisões judiciais, mas de avaliar conduta ética nos “mais altos cargos da República”.
Dias Toffoli – A atenção sobre o ministro começou após a revelação de que a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio, recebeu recursos de um fundo de investimento cujo cotista único era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Fundada em 2020 e administrada pelos irmãos do ministro, a Maridt tornou-se sócia do Resort Tayayá no mesmo ano e, em 2021, vendeu parte das cotas ao fundo ligado à família do banqueiro. A sociedade permaneceu até fevereiro de 2025, quando se desfez do investimento. Em meio à controvérsia, Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre o banco Master, repassada por sorteio ao ministro André Mendonça.
Alexandre de Moraes – Reportagem publicada em 2025 revelou contrato de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e o banco Master, vigente de fevereiro de 2024 a novembro de 2025. Além disso, mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam troca de contatos entre Vorcaro e Moraes em 17 de novembro de 2025, horas antes da primeira prisão do banqueiro. O ministro nega ter recebido os recados.
Para Alessandro Vieira, o episódio supera uma “crise bancária” e ameaça a credibilidade do Supremo Tribunal Federal. Caso a CPI seja criada, caberá aos senadores definir plano de trabalho, convocar depoentes e analisar documentos relativos ao banco Master e às supostas conexões com os ministros.
O prazo de funcionamento e a composição do colegiado serão definidos após leitura do requerimento em plenário.
Com informações de G1
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