Oposição articula para adiar julgamento que pode cassar mandato de Eduardo Bolsonaro

A bancada do PL intensificou as negociações para frear um possível processo de cassação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na Câmara dos Deputados. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de representação no Conselho de Ética e acumula faltas em plenário que, se confirmadas, podem resultar na perda do mandato.

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Movimentação nos Estados Unidos

Líder do PL na Casa, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) esteve nos Estados Unidos na semana passada para se reunir com Eduardo Bolsonaro. No encontro, discutiram estratégias para preservar o mandato e os rumos do projeto que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Eduardo resiste à proposta de transformar a anistia em parâmetros de dosimetria das penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Cargo de liderança barrado

A sigla havia indicado Eduardo para o posto de líder da Minoria — hoje ocupado por Caroline de Toni (PL-SC) —, manobra que evitaria o registro de ausências porque o Regimento Interno dispensa líderes de estarem em todas as votações. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou a indicação, alegando “impossibilidade de exercício do mandato fora do país”.

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Sóstenes afirma ter recebido ligação de Motta logo após os Estados Unidos aplicarem sanções, com base na Lei Magnitsky, à esposa e ao escritório do ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o recuo do presidente da Câmara foi “retaliação” ao episódio.

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A decisão foi contestada por recurso. A oposição argumenta que, se o benefício for retirado de Eduardo, deve ser extinto para todos os demais líderes.

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Calendário no Conselho de Ética

Designado relator do processo, o deputado Marcelo Freitas (União-MG) promete apresentar parecer preliminar até 1.º de outubro. Aprovado o texto, inicia-se a fase de instrução, quando Eduardo poderá arrolar até oito testemunhas. O regimento fixa prazo de 90 dias para conclusão, mas a expectativa é que o relatório final seja votado até novembro.

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No parecer, Freitas poderá sugerir absolvição, censura, advertência, suspensão de até seis meses ou cassação. Integrantes da oposição apostam em pena de suspensão por até três meses, o que impediria que as ausências sejam computadas. Até 24 de setembro, Eduardo acumulava 23 faltas não justificadas, equivalentes a 62,16% das sessões deste ano. A Constituição determina perda do mandato a quem faltar a um terço das sessões sem justificativa.

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Imagem: Bruno Spada

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Pressão do PT e reação do PL

O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pressiona pela cassação por quebra de decoro. Se o Conselho optar por punição mais branda, o caso se encerra ali; em caso de recomendação de cassação, o plenário da Câmara precisará confirmar a medida por maioria absoluta (257 votos).

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Para o vice-líder do governo, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), Eduardo Bolsonaro “age contra a soberania nacional” ao buscar sanções estrangeiras. Governistas esperam que o STF influencie no andamento do processo.

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A liderança petista protocolou pedido para declarar Marcelo Freitas suspeito, alegando proximidade com a família Bolsonaro. O relator nega vínculo pessoal e diz que atuará com “imparcialidade e isenção”.

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Com informações de Gazeta do Povo

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