Um cilindro de gelo com 105 metros de profundidade, extraído das montanhas Pamir, no Tajiquistão, está no centro de um estudo internacional que busca entender por que algumas geleiras da região avançam em vez de encolher. O material foi coletado em janeiro de 2025 na calota de gelo Kon-Chukurbashi, a 5.810 metros de altitude, e agora é examinado por especialistas da Universidade de Hokkaido, no Japão.
Durante a missão, os pesquisadores perfuraram a geleira e retiraram duas colunas de gelo com cerca de 105 metros cada. Uma parte seguiu para um depósito subterrâneo na Antártida, mantido pela Ice Memory Foundation; a outra foi enviada ao Instituto de Ciência de Baixas Temperaturas, em Sapporo, onde o professor Yoshinori Iizuka coordena as análises.
A equipe pretende descobrir por que as geleiras da cordilheira Pamir-Karakoram — única área do planeta que contraria a tendência global de retração — mostram estabilidade ou crescimento. Entre as hipóteses estão o clima naturalmente frio da região e o aumento de vapor d’água na atmosfera, possivelmente ligado ao uso intensivo de irrigação no Paquistão. Os núcleos de gelo oferecem a primeira oportunidade de verificar essas teorias em laboratório.
Cada camada do cilindro funciona como um arquivo histórico: partes transparentes apontam derretimento e recongelamento; seções menos densas indicam acúmulo de neve; rachaduras revelam neve sobre gelo parcialmente derretido. Elementos vulcânicos, como íons de sulfato, ajudam a datar os episódios, enquanto isótopos de água permitem estimar temperaturas passadas.
Os cientistas esperam encontrar gelo com até 10 mil anos. Parte da geleira derreteu há cerca de 6 mil anos, mas, se o chamado “gelo antigo” estiver preservado, poderá fornecer pistas sobre o clima da última era glacial e sobre partículas presentes na atmosfera naquele período.
Imagem: Bernhard Staehli
Desde a chegada das amostras ao Japão, em novembro, o trabalho avança em câmaras a 20 °C, onde densidade, estrutura e composição química são examinadas em detalhes. Os primeiros resultados estão previstos para ser divulgados no próximo ano. Amostras mantidas na Antártida também devem apoiar pesquisas futuras sobre impactos históricos das atividades humanas na qualidade do ar e no regime de chuvas da região.
Com informações de Olhar Digital
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