Brasília — A detenção do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, na quinta-feira, 5 de março de 2026, intensificou a tensão no Congresso Nacional. A medida foi autorizada no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apura supostas fraudes bilionárias envolvendo a instituição financeira.
Relatórios da PF revelam conversas encontradas no celular de Vorcaro que mencionam encontros informais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Alexandre de Moraes, integrantes do Executivo e lideranças parlamentares. Há referências ainda a um jantar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e a amizade de longa data com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os investigadores ressaltam que as citações não configuram, por si só, ilegalidades, mas fornecem combustível para pressões por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
O inquérito que envolve Vorcaro mudou de relator no Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli pediu a redistribuição do processo depois de ter seu nome citado em documentos da PF, e o caso passou para o ministro André Mendonça. Desde então, novas medidas cautelares foram autorizadas, elevando a preocupação de parlamentares que aparecem nos diálogos interceptados.
Senadores como Jorge Kajuru (PSB-GO) e Eduardo Girão (Novo-CE) afirmam que uma eventual colaboração premiada de Vorcaro poderia atingir “meia República”. Segundo eles, o banqueiro teria conhecimento de operações financeiras que envolveriam prefeitos, deputados e senadores de diferentes partidos.
Lideranças do Centrão, além do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, articulam para impedir a instalação de uma CPI. O argumento principal é evitar uma “crise institucional” de grandes proporções. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) também é apontado como obstáculo, sobretudo após ações da PF contra aliados seus no Amapá por investimentos previdenciários ligados ao Banco Master.
A reviravolta jurídica e política em torno de Daniel Vorcaro mantém o Congresso em alerta enquanto a PF avança na investigação do que pode se tornar um dos maiores escândalos financeiros da última década.
Com informações de Gazeta do Povo
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