Brasília — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu nesta quarta-feira, 4 de março, nova ordem de prisão contra o banqueiro Daniel Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero. A medida, que recaiu também sobre outros investigados, foi tomada após a Polícia Federal (PF) identificar ameaças graves a jornalistas e ex-funcionários.
Relatórios da PF apontam que Vorcaro autorizou planos de agressão física contra o colunista Lauro Jardim e antigos empregados. As conversas monitoradas mostram a existência de uma “milícia privada” encarregada de vigiar autoridades e colher informações sigilosas em órgãos como Ministério Público, Interpol e FBI. Diante do risco imediato à integridade das vítimas e da possibilidade de ocultação de ativos avaliados em bilhões de reais, Mendonça considerou urgente a custódia preventiva.
A decisão reforça a sintonia entre o relator e os investigadores. Mendonça criticou publicamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) por não aderir aos pedidos de prisão e destacou que o Ministério Público ignorou “provas abundantes” de crimes em curso. Para resguardar informações sensíveis, o ministro limitou o acesso aos relatórios, evitando que cheguem a escalões superiores que, segundo ele, poderiam vazar dados da investigação.
A relatoria do processo esteve até recentemente com o ministro Dias Toffoli, que adotava medidas incomuns, como lacrar equipamentos apreendidos e direcionar depoimentos, práticas vistas com reserva pelos delegados. Toffoli deixou o caso depois que surgiram indícios de ligações dele com Vorcaro. Assumindo o processo em fevereiro, Mendonça afastou servidores do Banco Central suspeitos de corrupção e classificou o grupo investigado como “milícia privada”, ganhando a confiança dos agentes que atuam na linha de frente.
Os detidos seguiram para penitenciárias estaduais, o que indica prisões prolongadas. Mendonça proibiu que juízes de primeiro grau relaxem a custódia durante audiências, concentrando qualquer decisão sobre liberdade no próprio STF. A Segunda Turma deve analisar, na próxima semana, se mantém ou revoga as prisões, cenário que aumenta a pressão por eventuais acordos de colaboração premiada.
Com informações de Gazeta do Povo
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