Um artigo publicado na revista Nature na quarta-feira (18) detalha os progressos do Projeto Silica, iniciativa da Microsoft que desenvolve um sistema de armazenamento digital em placas de vidro capaz de preservar informações por milênios.
Lançado em 2019, o projeto propõe substituir mídias tradicionais, que exigem cópias periódicas, por um suporte mais durável e de baixo consumo energético. O procedimento envolve:
1 – Gravação: um laser ultrarrápido (femtossegundo) inscreve pixels tridimensionais — os chamados voxels — dentro da placa.2 – Armazenamento: após gravadas, as placas são guardadas em estantes comuns, sem necessidade de controle rigoroso de temperatura ou umidade.3 – Leitura: um microscópio automatizado com câmera captura imagens de cada camada de voxels.4 – Decodificação: algoritmos, em grande parte baseados em inteligência artificial, traduzem as imagens para restaurar os dados originais.
Os pesquisadores alcançaram velocidade de gravação de 65,9 Mb/s e densidade de 1,59 Gb/mm³. Em um fragmento de vidro de 12 cm² por 2 mm de espessura, cabem 4,84 TB — espaço suficiente para armazenar cerca de dois milhões de livros ou 5 mil filmes em 4K. Testes indicam que as informações permaneceriam legíveis por até 10 mil anos, mesmo expostas a temperaturas de 290 °C, desde que a placa não sofra danos físicos ou corrosão química.
O estudo apresenta inovações que reduzem custos e simplificam o hardware:
Entre as demonstrações já realizadas estão a gravação do filme Superman, da Warner Bros. Discovery; uma parceria com o Global Music Vault para armazenar músicas sob o gelo por dez milênios; e o projeto educacional Golden Record 2.0, que reúne imagens, sons e mensagens representando a diversidade humana.
Com a produção mundial de dados quase dobrando a cada três anos, os autores defendem que a técnica a laser em vidro figura entre as poucas alternativas com potencial para oferecer armazenamento durável e imutável em larga escala. A fase atual de pesquisa foi concluída, e os resultados foram divulgados para incentivar novos estudos.
Com informações de Olhar Digital
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