Quase metade dos inscritos como PCD no DF é autista; falta de emprego e terapias lideram reclamações

Dos 54.326 moradores do Distrito Federal registrados no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CADPCD), 24.610 possuem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O grupo responde por 45,3% das pessoas com deficiência oficialmente cadastradas na capital e encara obstáculos que vão do acesso a terapias especializadas à inclusão no mercado de trabalho.

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Mais diagnósticos, mesmos entraves

A advogada Adriana Monteiro, especializada em direitos da pessoa com deficiência, explica que o crescimento dos registros é resultado da ampliação dos critérios clínicos, da maior conscientização social e da oferta de profissionais qualificados. Segundo ela, durante décadas, muitos autistas foram classificados equivocadamente com transtornos como borderline, depressão ou bipolaridade e só receberam o laudo correto na vida adulta.

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Mesmo amparados por prioridades em filas e assentos, autistas continuam recorrendo à Justiça para obter sessões de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), fonoaudiologia, acompanhamento escolar especializado e ensino inclusivo efetivo. Na avaliação de Monteiro, o problema não está na legislação, mas no descumprimento das normas já existentes.

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Mercado de trabalho e capacitismo

O principal entrave na fase adulta é a contratação. Empresas descumprem cotas, falham na adaptação de ambientes e perpetuam preconceitos, detalha a advogada. “Há profissionais com graduação e mestrado que acabam aceitando vagas de menor complexidade porque são as únicas destinadas ao cumprimento das cotas”, afirma.

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Para Monteiro, é urgente a criação de centros especializados, a formação continuada de professores, a fiscalização rigorosa das unidades de saúde e políticas eficazes de empregabilidade. Ela também aponta a falta de moradia assistida para autistas com nível 3 de suporte, sobretudo quando seus pais falecem.

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Relato de quem procura vaga

O jornalista Luis Felipe Sales, 24 anos, autista de nível 1 de suporte, sente na prática a dificuldade de conseguir emprego. Formado em 2024, fez estágio na Associação Brasileira de Autismo Comportamento e Intervenção (Abracic) e atuou em empresas de comunicação e recursos humanos, mas pediu demissão do último posto pela falta de adaptação e compreensão dos colegas.

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“Acredito que a minha dificuldade de encontrar emprego é por ser autista. Muitas empresas têm receio ou preconceito”, lamenta. Ele relata ainda problemas ao enviar laudos em plataformas on-line, que frequentemente rejeitam os documentos por falhas no sistema.

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Sales defende mais pontos de atendimento e serviços preferenciais para autistas. Mesmo usando o cordão de identificação, conta que raramente recebe assento em ônibus ou metrô. Apesar dos desafios, mantém o objetivo de se tornar repórter de TV e produz vídeos para um canal no YouTube com cerca de 10 mil inscritos.

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Com informações de Metrópoles

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