Mendonça assume inquérito no STF e deve destravar apuração sobre descontos ilegais em aposentadorias

Brasília — A presidência do inquérito que investiga descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mudou de mãos no Supremo Tribunal Federal (STF). Designado relator na segunda-feira (25), o ministro André Mendonça substitui Dias Toffoli e passa a conduzir o caso que, segundo policiais, envolve deputados federais e sindicatos acusados de subtrair valores de aposentados.

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Paralisação desde junho

As investigações estavam suspensas desde 10 de junho, quando Toffoli determinou que todos os procedimentos espalhados pelo país fossem remetidos ao seu gabinete para definir o que permaneceria no STF, em razão do foro privilegiado de parlamentares, e o que retornaria à primeira instância. A concentração dos autos provocou receio de anulação de diligências e levou juízes, delegados e procuradores a interromperem medidas de coleta de provas.

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Pedir vista e acúmulo de informações

Mendonça já acompanhava o tema. Em 7 de maio, tornou-se relator da primeira Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) sobre o assunto, apresentada pelo Instituto Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência Oceano Azul. A entidade solicitou o fim definitivo dos descontos não autorizados e melhorias no atendimento a pessoas com deficiência no INSS.

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Desde então o ministro recebeu relatórios do INSS, da Controladoria-Geral da União (CGU), da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Com a nova atribuição, ele também passa a centralizar a vertente criminal da investigação, o que, na avaliação de investigadores, deve dar celeridade ao processo.

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Outras ações em curso

Além da ADPF do Oceano Azul, duas outras ações tramitam no STF:

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  • ADPF do governo federal – protocolada em junho para suspender demandas judiciais contra o INSS; sob relatoria de Toffoli, resultou em acordo que prevê a devolução dos valores aos aposentados, corrigidos pela inflação, mediante renúncia ao direito de processar o instituto. O ministro autorizou a abertura de crédito extraordinário de R$ 2,8 bilhões fora do limite do arcabouço fiscal.
  • ADPF do Partido Progressistas (PP) – pede o reembolso integral, fortalecimento de auditorias e redução de burocracia no atendimento.
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Em 15 de agosto, o acordo firmado por Toffoli recebeu votos favoráveis de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Mendonça, porém, pediu vista e suspendeu o julgamento. O Oceano Azul requereu que ele também assuma a relatoria das ADPFs do governo e do PP, alegando prevenção – regra que atribui todos os processos sobre o mesmo fato ao ministro sorteado para o primeiro deles.

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Imagem: Gustavo Moreno

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Expectativa de unificação

Para o advogado Rafael Vitorino, que representa o Oceano Azul, a redistribuição do inquérito criminal a Mendonça evita decisões divergentes e possibilita o bloqueio de bens dos suspeitos. “Agora não haverá mais decisões conflitantes; um único relator poderá conduzir melhor o devido processo legal”, disse.

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CPMI do INSS inicia trabalhos

No Congresso, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi instalada nesta terça-feira. Formada por parlamentares da oposição, a comissão pretende apurar responsabilidades de governos, sindicatos, associações e partidos de esquerda no esquema de descontos indevidos. Entretanto, quebras de sigilo ou convocações aprovadas pela CPMI podem ser contestadas no STF. Desde a CPI da Covid, recursos desse tipo são distribuídos aleatoriamente aos 11 ministros, o que pode resultar em decisões diferentes sobre medidas de investigação.

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Com a mudança de relatoria no Supremo e o avanço da CPMI, os desdobramentos das fraudes contra aposentados passarão a ser acompanhados simultaneamente pelo Poder Judiciário e pelo Legislativo.

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Com informações de Gazeta do Povo

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