Lula vira principal voz nos Brics pela redução do dólar no comércio internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu, em seu terceiro mandato, a liderança do discurso que defende a criação de uma ordem econômica global menos dependente do dólar. A posição, pouco vocalizada por outros chefes de Estado do Brics — bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos —, vem ganhando destaque desde 2023 e coloca o governo brasileiro no centro de tensões com Washington.

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Pressão norte-americana com tarifas de 50%

A mais recente reação dos Estados Unidos surgiu na forma de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, impostas pelo então presidente Donald Trump. Analistas ouvidos pela reportagem afirmam que a medida sinaliza a expectativa de que Brasília defina seu alinhamento em um cenário geopolítico cada vez mais polarizado.

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Analistas veem discurso “ideológico”

Para Cezar Roedel, mestre em Relações Internacionais, Lula ocupa um espaço que outros membros do bloco evitam. “O premiê indiano Narendra Modi não trata abertamente do tema, o líder chinês prefere silêncio e o presidente russo lida com questões internas. Sobrou a Lula sustentar o discurso contra o dólar”, avaliou.

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Roedel lembra que o dólar responde por cerca de 90% das transações cambiais e por quase metade do comércio mundial. No Brasil, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, a moeda americana participa de mais de 95% das exportações e de 81% das importações.

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Motivações políticas internas

Para Adriano Gianturco, coordenador de Relações Internacionais do Ibmec-BH, a defesa do fim do dólar tem mais utilidade doméstica do que viabilidade prática. “É um instrumento de narrativa para reforçar alianças ideológicas e projeção no chamado Sul Global”, avaliou.

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Antecedentes do discurso antidólar

A crítica à hegemonia do dólar não é nova. Em 2008, ainda no segundo mandato, Lula e a Argentina lançaram o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML). Dados do Banco Central indicam que, em 2024, as exportações brasileiras via SML somaram R$ 3,3 bilhões.

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A guinada tornou-se mais explícita em abril de 2023, quando Lula, em Xangai, questionou por que “todos os países” precisariam lastrear comércio na moeda dos EUA. Na mesma linha, o Brics Pay — projeto de compensação entre moedas nacionais — continua em fase de estudos, sem implementação robusta.

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Imagem: Ricardo Stuckert

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Choques diplomáticos

Além da pauta antidólar, episódios como a autorização para navios de guerra iranianos atracarem no Rio (março de 2023) e o pouso, em agosto de 2025, de um cargueiro russo sancionado em Brasília ampliaram desconfianças dos EUA sobre o rumo da política externa brasileira.

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Parlamentares criticam aproximação de regimes sancionados

Deputados federais como Marcel van Hattem (Novo-RS), Coronel Armando (PP-SC) e Luiz Lima (Novo-RJ) classificam a postura de Lula como “irresponsável” por, segundo eles, afastar o Brasil de seu principal parceiro democrático e repetir estratégias vistas na Venezuela.

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Brasil e Índia: “países-pêndulo”

Brasil e Índia ainda são rotulados como nações “pêndulo” por evitarem alinhamento automático às grandes potências. Para Gianturco, contudo, as novas tarifas americanas são um recado de que a ambivalência pode se tornar insustentável.

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Especialistas apontam que, apesar das pressões externas, a retórica antidólar deve continuar a ser usada pelo Palácio do Planalto para fortalecer sua base política interna e reforçar laços com países que contestam a ordem econômica liderada pelos EUA.

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Com informações de Gazeta do Povo

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