O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, que nenhum país da América do Sul conseguirá prosperar de forma isolada. A declaração foi feita no Palácio do Planalto, em Brasília, durante a visita oficial do chefe de Estado da Bolívia, Rodrigo Paz.
“A integração regional não é projeto ideológico, mas necessidade histórica”, declarou Lula após reunião bilateral. Segundo ele, apenas uma América do Sul unida terá peso econômico e político suficientes no cenário internacional.
Lula lembrou que, diante das incertezas provocadas por conflitos internacionais e pela oferta de combustíveis, a Bolívia continua sendo “fonte segura” de abastecimento para o Brasil. Atualmente, o país vizinho é o maior fornecedor de gás natural ao mercado brasileiro, e os dois governos estudam ampliar investimentos no setor para aumentar o volume exportado.
O presidente brasileiro também destacou que Brasil e Bolívia são responsáveis pela preservação da Amazônia. Para Lula, proteger a floresta, suas populações e a biodiversidade faz parte de uma “responsabilidade compartilhada” entre os dois países.
No encontro, Lula e Paz assinaram um acordo de cooperação focado no combate ao crime nas áreas de fronteira. O documento prevê maior coordenação para enfrentar tráfico de drogas e de pessoas, contrabando, roubos de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais, além de medidas para facilitar a mobilidade de cidadãos nos dois lados da linha divisória.
Lula celebrou a adesão formal da Bolívia ao Mercosul, ocorrida em julho de 2024, e classificou o movimento como “passo histórico” para reforçar a autonomia regional diante da instabilidade dos mercados globais. A agenda do dia ainda incluiu debates sobre projetos de infraestrutura, integração de comunidades fronteiriças, cooperação energética e fomento ao turismo.
Rodrigo Paz, 58 anos, é filiado ao Partido Democrata Cristão, de orientação à direita, e foi eleito presidente boliviano no fim de 2025. Filho do ex-mandatário Jaime Paz Zamora, nasceu no exílio durante a ditadura militar e estudou nos Estados Unidos. Em sua posse, defendeu uma América Latina “livre e democrática” e citou, como exemplo, a reação brasileira aos ataques de 8 de janeiro.
O convite para a visita de Estado foi feito por Lula em janeiro, quando ambos se encontraram na Cidade do Panamá após participarem do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. Na ocasião, discutiram rotas de integração sul-americana e alternativas para garantir acesso boliviano a portos marítimos.
Na semana passada, Paz compareceu à cerimônia de posse do presidente chileno José Antônio Kast e disse desejar transformar a Bolívia em “ponte do Brasil” rumo ao Oceano Pacífico. Lula enviou o chanceler Mauro Vieira como representante oficial ao evento, acompanhado de carta convidando Kast a visitar o Brasil.
Recentemente, o boliviano participou da cúpula “Escudo das Américas”, convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida. Ao menos uma dúzia de líderes da América Central, Sul e Caribe esteve presente; Lula não foi convidado.
Apesar de divergências políticas com o governo brasileiro, Paz reiterou em campanha que vê o Brasil como principal parceiro estratégico da Bolívia.
Com informações de G1
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