Banco Master: liquidação provoca disputa entre Banco Central, STF e Congresso

Dois meses depois de decretar a liquidação do Banco Master, o Banco Central (BC) enfrenta questionamentos simultâneos do Tribunal de Contas da União (TCU), do Supremo Tribunal Federal (STF) e de parlamentares. A operação, oficializada em 18 de novembro de 2025, ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (2), quando o TCU abriu inspeção para analisar a documentação que embasou a medida.

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Fraude bilionária e “limpeza contábil”

O Master chegou à intervenção em meio à Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos estimados em R$ 12 bilhões. Parte do esquema envolvia a Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, também alvo da Polícia Federal na Operação Carbono Oculto por suspeita de lavar recursos para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Segundo o Banco Central, o banco direcionava recursos a fundos estruturados pela Reag, que, na sequência, compravam ativos problemáticos do próprio Master. A manobra, calculada em cerca de R$ 11,5 bilhões, mantinha artificialmente os índices regulatórios da instituição.

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Crise de liquidez

No dia da liquidação, o Master dispunha de apenas R$ 4,8 milhões em caixa livre diante de vencimentos imediatos de R$ 48,6 milhões em CDBs. Em uma semana, os compromissos somavam R$ 120 milhões. O recolhimento compulsório apresentava déficit ainda maior: contra uma exigência de R$ 2,53 bilhões, o banco havia depositado menos de R$ 25 milhões.

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Intervenções do TCU e do STF

A inspeção aberta pelo TCU pretende verificar lacunas nos documentos enviados pelo BC. O presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, classificou a medida como “processo absolutamente comum”, sem esclarecer se o órgão tem competência para anular a liquidação.

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Paralelamente, o ministro Dias Toffoli, do STF, determinou uma acareação entre executivos do Master, do Banco Regional de Brasília (BRB) e do BC. A Procuradoria-Geral da República e o próprio Banco Central contestaram o procedimento. Toffoli recuou parcialmente e ordenou que a Polícia Federal colha depoimentos antes de eventual confronto entre as partes.

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Pressão no Congresso

Na Câmara, o vice-líder da oposição, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), afirmou ter reunido assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso. O pedido deve ser formalizado em fevereiro, após o recesso legislativo.

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Imagem: Rafa Neddermeyer

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A oposição também articula novo pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, apoiado na revelação de que o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, possui contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master válido até 2027.

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Depoimentos conflitantes

Em 30 de dezembro, a Polícia Federal ouviu o controlador do Master, Daniel Vorcaro; o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos. Vorcaro declarou ter sido “surpreendido” pela liquidação e classificou a medida como desproporcional. Costa afirmou que o BRB acumulou prejuízo de R$ 2 bilhões nas negociações para compra do Master — informação contestada por Vorcaro.

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As defesas confirmaram que, na data da intervenção, discutiam a substituição de R$ 2 bilhões em ativos, com garantia de R$ 9 bilhões e deságio de 30% oferecidos pelo Master. Novos depoimentos foram agendados para janeiro.

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Com a inspeção do TCU, a atuação do STF e a provável CPMI, a liquidação do Banco Master tornou-se o primeiro caso em que uma intervenção bancária enfrenta questionamentos simultâneos de Judiciário, Legislativo e órgãos de controle.

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Com informações de Gazeta do Povo

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