Juristas feministas recorrem ao STF para que Lula indique mulher negra ao lugar de Barroso

Um grupo de advogadas da Rede Feminista de Juristas (deFEMde) protocolou no domingo (26) um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolha um homem branco para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.

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As juristas solicitam que a Corte determine a indicação de uma mulher negra, alegando “exclusão histórica” desse grupo no Supremo. Elas acusam o presidente de “abuso de poder por desvio de finalidade” e de praticar “apartheid” ao não priorizar a representatividade de mulheres negras.

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Entre os nomes mais cotados para a sucessão de Barroso estão o advogado-geral da União, Jorge Messias, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas — todos homens brancos. O pedido foi distribuído ao ministro André Mendonça, que atuará como relator.

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Discricionariedade contestada

Embora a Constituição atribua ao presidente a prerrogativa de escolher ministros do STF, o grupo sustenta que essa discricionariedade encontra limites na moralidade administrativa e nos direitos humanos. Para as advogadas, ignorar o critério de diversidade configura violação ao princípio da igualdade.

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“A indicação ao STF não é livre quando fere direitos humanos”, afirmam no documento, destacando a urgência da decisão diante da proximidade da nomeação e do perfil predominante entre os cotados.

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Argumentos e histórico

A ação lembra que, em 135 anos de existência, o Supremo contou com 172 ministros: 165 homens brancos, quatro homens negros e três mulheres brancas. De acordo com o Censo de 2022, 51 % da população brasileira é feminina e 56 % se declara negra.

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Imagem: Rosinei Coutinho

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As advogadas citam ainda que Lula já indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino — ambos homens brancos — nesta gestão, o que, segundo elas, reforça a desigualdade. A petição é assinada por Luana Cecília dos Santos Altran, Raphaella Reis de Oliveira, Juliana de Almeida Valente, Claudia Patricia de Luna Silva e Maria das Graças de Mello.

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O grupo conclui que escolher uma mulher negra para o STF seria “imperativo categórico” imposto pela Constituição e por tratados internacionais que tratam da igualdade racial e de gênero.

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Com informações de Gazeta do Povo

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