O governo federal aumentou no início de fevereiro o Imposto de Importação de mais de 1.200 produtos, entre eles eletrônicos e itens de informática, mas recuou parcialmente em 27 de fevereiro, ao suspender o reajuste de 120 mercadorias. Horas depois, porém, a administração passou a classificar como “fake news” as publicações que apontavam alta nas tarifas.
Na noite do dia 27, o perfil oficial do governo divulgou um vídeo do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, negando que celulares, notebooks, gabinetes, memórias, roteadores, processadores, placas-mãe e lâmpadas LED sofreriam aumento de imposto. O conteúdo ultrapassou 6,5 milhões de visualizações nas redes sociais até a manhã seguinte.
Parlamentares criticaram a declaração. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) afirmou que o governo recuou apenas depois que ele apresentou projeto para derrubar o aumento. Nikolas Ferreira (PL-MG) destacou que a tarifa subiu para mais de 1.200 itens e só foi revista para 120, chamando a postura oficial de “desrespeito”. Já Kim Kataguiri (União-SP) acusou o Executivo de espalhar desinformação e exibiu em vídeo documento assinado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que justificava o acréscimo nas alíquotas.
Na manhã de 28 de fevereiro, o Palácio do Planalto reiterou nas redes que seriam “imprecisas ou falsas” as notícias sobre aumento de preços de eletrônicos. Segundo a publicação, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) apenas retirou da lista três itens — GPU, placa-mãe de vídeo e processador — por não haver produção nacional equivalente, mantendo inalterados os demais reajustes.
A polêmica surge em momento de queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende disputar a reeleição em 2026. Nos bastidores, interlocutores atribuem ao ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, a defesa pelo recuo parcial nas tarifas para conter o desgaste — comparação feita com a crise do Pix em 2025, quando críticas nas redes somaram 300 milhões de visualizações.
Em nota técnica divulgada no início de fevereiro, o Ministério da Fazenda argumentou que o aumento do Imposto de Importação visava compensar reduções anteriores e resguardar a indústria nacional. Dois dias antes da revisão parcial, Fernando Haddad disse que a medida protegeria fabricantes locais “sem ocasionar aumento de preços”.
Com a divergência entre as áreas econômica e de comunicação, o governo segue defendendo que não houve alta para os produtos citados por Alckmin, enquanto oposicionistas sustentam que a tarifa subiu e só foi reduzida para uma pequena parcela dos itens originalmente afetados.
Com informações de Gazeta do Povo
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