Encontro cordial entre Trump e Lula mantém tarifas de 50% sobre exportações brasileiras

Kuala Lumpur (Malásia) – A conversa de aproximadamente 45 minutos entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizada neste domingo (26) durante a cúpula de líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), não resultou na retirada das tarifas de 50% aplicadas pelos EUA às exportações brasileiras desde o início de agosto.

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Próximos passos

Segundo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, Trump orientou sua equipe a iniciar um calendário de negociações bilaterais. A primeira reunião técnica, prevista para o próprio domingo, foi remarcada para as 8h de segunda-feira (27) no horário local – 21h de domingo em Brasília – após um telefonema do representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer, ao qual também participaram o secretário-executivo do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (MIDC), Márcio Rosa, e o assessor internacional do Planalto, Audo Faleiros.

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Tom amistoso, mas sem acordo

Diferentemente de Camboja, Tailândia e Malásia – que assinaram entendimentos comerciais com Washington no mesmo dia –, o Brasil saiu do encontro sem um resultado concreto. Mesmo assim, Trump declarou à imprensa que a questão tarifária pode ser resolvida “muito rapidamente”, sem especificar condições. Lula reforçou o pedido para que as tarifas sejam suspensas durante as tratativas e manifestou disposição para discutir também a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

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Ao final da reunião, Lula escreveu na rede X que o diálogo foi “franco e construtivo” e que as equipes trabalharão “imediatamente” em busca de soluções para tarifas e sanções.

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Agenda divulgada pela Casa Branca

A Casa Branca publicou notas sobre acordos comerciais firmados com Camboja, Tailândia e Malásia, mas não houve comunicado referente ao encontro com Lula. A assessoria norte-americana informou apenas que a agenda pública de Trump naquele dia estava encerrada.

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Fatores de pressão

No encontro, Lula citou o histórico de relações bilaterais e a ausência de superávit comercial norte-americano como argumentos para suspender o “tarifaço”. O governo brasileiro espera concluir as discussões “em poucas semanas”, mas negociações semelhantes conduzidas por Washington com outros parceiros, como o Canadá, vêm se arrastando há meses.

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Imagem: Ricardo Stuckert

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Outro elemento considerado desfavorável por integrantes da diplomacia brasileira é a indicação do secretário de Estado Marco Rubio para liderar futuras conversas. Crítico contumaz de Lula e de regimes latino-americanos, Rubio tende a adotar uma postura mais rígida, avaliam analistas ouvidos pelo Itamaraty.

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Contexto da política comercial dos EUA

Trump segue endurecendo a política tarifária também com outros países. Na semana anterior, o presidente norte-americano ameaçou a China com tarifas de 155% caso não haja acordo até 1.º de novembro. Já com o Canadá, Washington impôs uma sobretaxa adicional de 10% depois de desavenças envolvendo propagandas veiculadas por Ontário.

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Com isso, apesar do clima cordial em Kuala Lumpur, o Brasil continua sujeito à tarifa de 50% – e não há data definida para sua revogação.

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Com informações de Gazeta do Povo

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